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Parlamento do Brasil mantém prisão de deputado que atacou o Supremo e fez apologia à ditadura

Aprovação da prisão de Silveira foi confirmada por um número de votos bem superior ao que era necessário e esperado.
Domingos Grilo Serrinha e correspondente no Brasil 20 de Fevereiro de 2021 às 00:17
Parlamento do Brasil mantém prisão de deputado que atacou o Supremo e fez apologia à ditadura
Parlamento do Brasil mantém prisão de deputado que atacou o Supremo e fez apologia à ditadura FOTO: Direitos Reservados

A Câmara dos Deputados do Brasil decidiu no final da noite desta sexta-feira acatar a prisão do deputado bolsonarista radical Daniel Silveira, preso na noite de terça-feira por ordem do Supremo Tribunal Federal após violento ataque verbal àquele órgão e de apologia à volta da ditadura militar. Pela lei brasileira, quando um deputado ou senador é preso, o Congresso tem de aprovar essa prisão ou, não a confirmando, o parlamentar é imediatamente libertado.

A aprovação da prisão de Silveira, que está preso num quartel da Polícia Militar em Niterói, no estado do Rio de Janeiro, foi confirmada por um número de votos bem superior ao que era necessário e esperado. Não obstante serem necessários apenas 257 votos para confirmar a prisão, nada menos de 364 dos 494 deputados presentes à sessão extraordinária votaram a favor de manter Daniel Silveira preso, contra 130 que votaram pela sua libertação.

Silveira foi preso em casa, na cidade de Petrópolis, região serrana do Rio de Janeiro, na noite de terça-feira depois de ter divulgado nas suas redes sociais um vídeo em que, usando uma enxurrada de palavrões, ameaçou a integridade física e até a vida dos 11 juízes do mais alto tribunal brasileiro, acusando os magistrados de não fazerem nada, não terem moral nem carácter e receberem dinheiro do crime organizado para soltarem criminosos famosos. No vídeo, Silveira, um ex-polícia com um posicionamento ultra-radical de direita, que usa para defender o presidente Jair Bolsonaro, também defendeu o fechamento do Congresso e do próprio Supremo Tribunal e a volta dos militares ao poder através de um golpe de Estado que mantivesse Bolsonaro no poder com plenos poders.

Daniel Silveira, conhecido muito mais pela sua agressividade, até física, do que pelo conteúdo político, chamou a atenção do movimento de apoio a Jair Bolsonaro quando, em 2018, arrancou da parede e partiu uma placa de rua com o nome da vereadora Marielle Franco, ativista de esquerda, que tinha sido assassinada em Março daquele ano com uma rajada de tiros numa rua do Rio de Janeiro. Eleito deputado nas presidenciais e legislativas desse ano, tornou-se um dos principais nomes da ala mais radical que cerca o presidente Jair Bolsonaro e já era investigado pelo Supremo Tribunal em dois processos diferentes, um por financiar atos anti-democráticos e outro por financiar um esquema criminoso de disparo em massa de notícias falsas contra adversários de Bolsonaro.

Ele vai ficar preso até que o Supremo Tribunal Federal reavalie o caso. Mesmo que não demore muito a sair da prisão, em liberdade Daniel Silveira vai continuar a enfrentar muitos problemas, pois o novo processo também vai continuar a tramitar na justiça e, além disso, a direção da Câmara dos Deputados também já decidiu levá-lo a julgamento no Conselho de Ética visando a perda do seu mandato parlamentar.
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