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Correio da Manhã

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Partidos da oposição e mais de 400 entidades da sociedade civil pedem impeachment de Bolsonaro

Subscritores acusam o presidente de crimes de responsabilidade e de atentado à saúde pública.
Domingos Grilo Serrinha e correspondente no Brasil 21 de Maio de 2020 às 23:48
jair bolsonaro
jair bolsonaro

Partidos da oposição de esquerda e mais de 400 entidades da sociedade civil protocolaram esta quinta-feira, 21 de Maio, um pedido para afastamento do presidente Jair Bolsonaro. O pedido foi entregue na direcção da Câmara dos Deputados, em Brasília, a cujo presidente, o deputado Rodrigo Maia, cabe acatar ou rejeitar a acção, ou, simplesmente, não fazer nada.

No pedido de impeachment, os subscritores acusam o presidente da República de crimes de responsabilidade, de atentado à saúde pública e de colocar milhares de vidas em risco com as suas declarações e acções violando as orientações dos órgãos nacionais e internacionais sobre o coronavírus.

Negacionista convicto da gravidade, e em algumas ocasiões até da existência, da pandemia que já matou centenas de milhar de pessoas no mundo e mais de 19 mil só no Brasil, Jair Bolsonaro tem feito intensa campanha contra as medidas de distanciamento social adoptadas por governadores e autarcas contra a propagação do vírus no Brasil, e violado repetidamente as medidas de quarentena, participando até em actos políticos com aglomeração de simpatizantes.

Subscrevem o pedido de impeachment o Partido dos Trabalhadores, PT, Partido Comunista do Brasil, PC do B, Partido Comunista Brasileiro, PCB, Partido Democrático Trabalhista, PDT, Partido da Causa Operária, PCO, Partido Socialismo e Liberdade, PSOL, e Partido Socialista dos Trabalhadores Unidos, PSTU. Entre as mais de 400 entidades da sociedade civil estão sindicatos, movimentos de direitos humanos, o Movimento dos Trabalhadores Sem Tecto, MTST, e a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil.

A Câmara dos Deputados já tem protocolados mais de 30 outros pedidos de impeachment de Bolsonaro, apresentados por entidades ou por parlamentares individualmente, mas é a primeira vez que um pedido de afastamento do presidente é subscrito por um grupo de partidos e entidades.

Rodrigo Maia, apesar de ser um dos alvos preferidos dos violentos ataques verbais de Bolsonaro, até agora recusou acatar algum desses pedidos de afastamento, alegando que um processo tão longo e desgastante como esse iria atrapalhar e prejudicar muito a união de esforços entre todos os poderes para se conseguir combater e, se possível, conter, a pandemia do Coronavírus.
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