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Partidos pedem impeachment de Bolsonaro após denúncias de ex-ministro da Justiça

Novos pedidos para afastamento do presidente brasileiro do cargo têm autores e argumentações diferentes, mas são todos fundamentados nas acusações feitas por Sérgio Moro.
Domingos Grilo Serrinha e correspondente no Brasil 25 de Abril de 2020 às 18:06
Jair Bolsonaro, presidente do Brasil
Jair Bolsonaro, presidente do Brasil FOTO: Reuters

Horas depois da demissão do ministro da Justiça, Sérgio Moro, nesta sexta-feira, e da troca de acusações públicas entre ele e Jair Bolsonaro, três novos pedidos para o impeachment do presidente brasileiro foram protocolados na direção da Câmara dos Deputados, onde processos desse tipo têm de ser iniciados. Os novos pedidos para afastamento de Bolsonaro do cargo têm autores e argumentações diferentes, mas são todos fundamentados nas acusações feitas por Moro ao sair, de que o presidente tentou diversas vezes interferir em investigações da Polícia Federal para favorecer aliados e, principalmente, os filhos, alvos de investigações por corrupção, disparo em massa de fake news e ataques à democracia.

Joice Hasselmann, que já foi a líder do governo Bolsonaro no Congresso mas hoje é crítica do presidente após este ter rompido com o partido dela, o PSL, Partido Social Liberal, pelo qual o presidente foi eleito, é a autora de um desses pedidos de afastamento do governante. Joice alega que Bolsonaro, ao tentar interferir em investigações, cometeu crime de responsabilidade ao usar o cargo para tentar benefícios para si e aliados, e que cometeu crime de falsidade ideológica ao usar sem autorização a assinatura de Moro, outro facto denunciado por este, para demitir também esta sexta o director-geral da Polícia Federal, Maurício Valeixo, homem de confiança do ministro e que provocou a saída deste.

Um segundo pedido de impeachment de Bolsonaro foi protocolado pelo PSB, Partido Socialista Brasileiro. O partido também usa as denúncias de Sérgio Moro como base da sua argumentação, e chega a afirmar em certo ponto que lamenta ter de tomar uma atitude como essa durante uma pandemia que já matou mais de três mil brasileiros, quando todos deveriam estar empenhados no combate ao Coronavírus, mas que não o fazer seria uma imperdoável omissão que poderia agravar ainda mais a situação do país.

O terceiro pedido agora apresentado ao parlamento foi protocolado pelo partido Rede Sustentabilidade. O senador Randolfe Rodrigues, subscritor do pedido, afirmou depois de ter entregue o documento na direção do Congresso que Jair Bolsonaro não está acima da lei e que tem de responder pelos crimes de que está a ser acusado.

Além de várias petições de impeachment protocoladas por outras pessoas e entidades, em Março o PSOL, Partido Socialismo e Liberdade, já tinha apresentado um pedido para afastar Bolsonaro do cargo, nesse caso por ele ter incentivado e participado dia 15 desse mês em atos em que os manifestantes incitaram à rutura democrática ao pedirem o fechamento do Congresso e do Supremo Tribunal e que as Forças Armadas dessem um golpe de estado para perpetuarem o atual presidente no poder. Esses e vários outros pedidos semelhantes já protocolados continuam à espera de análise e decisão, favorável ou contrária, do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, que legalmente não tem prazo para decidir mas foi instado esta semana pelo Supremo Tribunal a tomar uma posição, para a sociedade brasileira não ficar sem resposta, seja ela qual for.
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