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Correio da Manhã

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PGR do Brasil denuncia cúpula do partido de Temer por corrupção

Denúncia insere-se na operação anti-corrupção Lava Jato.
Domingos Grilo Serrinha e correspondente no Brasil 25 de Agosto de 2017 às 22:57
Michel Temer
Michel Temer
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O Procurador-Geral do Brasil, Rodrigo Janot, denunciou na tarde desta sexta-feira por corrupção e branqueamento de capitais vários membros da mais alta cúpula do partido do presidente Michel Temer, o PMDB, Partido do Movimento Democrático Brasileiro, entre eles o presidente nacional da entidade, senador Romero Jucá.

A denúncia, que se insere no âmbito da operação anti-corrupção Lava Jato, culmina intensas investigações sobre o recebimento pelos denunciados de milhões pagos pela Transpetro, uma subsidiária da petrolífera Petrobrás.

Além de Jucá, ex-ministro do Planeamento de Temer e actual líder do governo no Congresso, foram denunciados os também senadores do PMDB Renan Calheiros, ex-presidente do Congresso, Valdir Raupp e Garibaldi Alves.

Outros dois nomes graúdos do partido do presidente, o ex-presidente da República e ex-senador José Sarney e o ex-senador e ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado também foram denunciados, além de três empresários.

Renan já tem outra denúncia contra si a aguardar decisão no Supremo Tribunal Federal e Jucá foi denunciado em outra acção ligada à Lava Jato na semana passada que também ainda não teve decisão do tribunal. O senador Valdir Raupp já é arguido em outra acção da Lava Jato.

A denúncia contra os seis membros da cúpula nacional do partido de Temer parece ser uma espécie de preliminar da denúncia que se espera que o PGR faça contra o próprio presidente da República já nos próximos dias.

Em Julho, Janot denunciou Temer por corrupção e o Supremo Tribunal, como manda a lei no caso de o denunciado ser o chefe de Estado, pediu autorização ao parlamento para levar o presidente a julgamento, mas os deputados recusaram o pedido, depois de manobras do governo que premiaram parlamentares com milhares de milhões de euros em verbas para obras e projectos e com a promessa de cargos para indicados deles.

Mas o PGR, que deixa o cargo em 17 de Setembro, já anunciou que vai apresentar outra denúncia contra Michel Temer, talvez até duas em separado, provavelmente pelos crimes de obstrucção à justiça e por participação em organização criminosa.

O consenso é que Temer, que precisou fazer manobras mirabolantes para escapar da primeira denúncia, deve enfrentar ainda mais dificuldades para escapar de uma segunda, pois os deputados, que se desgastaram enormemente para o defender, talvez não estejam dispostos a fazê-lo novamente, tendo em conta o prejuízo para a imagem deles e o facto de o ano que vem ser de eleições.
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