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Polícia e MP do Rio prendem supostos líderes de milícia ligada à morte de Marielle Franco

Grupo é suspeito de participação nos assassínios, em 2018, da vereadora carioca e do seu motorista.
Domingos Grilo Serrinha e correspondente no Brasil 30 de Junho de 2020 às 15:43
Marielle Franco
Brasileiros exigem que se faça justiça pelo assassinato da vereadora e ativista Marielle Franco, morta a tiro por homens armados no Rio de Janeiro
Marielle Franco foi assassinada em março de 2018
Marielle Franco
Brasileiros exigem que se faça justiça pelo assassinato da vereadora e ativista Marielle Franco, morta a tiro por homens armados no Rio de Janeiro
Marielle Franco foi assassinada em março de 2018
Marielle Franco
Brasileiros exigem que se faça justiça pelo assassinato da vereadora e ativista Marielle Franco, morta a tiro por homens armados no Rio de Janeiro
Marielle Franco foi assassinada em março de 2018

Uma operação conjunta da Polícia Civil (Judiciária) e do Ministério Público desencadeada ao amanhecer desta terça-feira prendeu na cidade brasileira do Rio de Janeiro dois alegados líderes do "Escritório do Crime", grupo de milicianos especializados em execuções por encomenda. Entre muitos outros crimes, o grupo é suspeito de participação nos assassínios em 2018 da vereadora carioca Marielle Franco e do seu motorista, Anderson Pedro Gomes, mortes não esclarecidas até hoje.

Os dois presos ao amanhecer desta terça-feira são Leandro Gouveia da Silva e Leonardo Gouveia da Silva, conhecidos, respectivamente, como "Tonhão" e "Mad", dois irmãos que a polícia acusa de serem os novos líderes do "Escritório do Crime". "Mad", segundo a investigação, sucedeu na chefia do grupo ao ex-capitão da Polícia Militar Adriano Magalhães da Nóbrega, o "Capitão Adriano", um homem muito próximo ao presidente Jair Bolsonaro e aos filhos, que foi morto pela polícia no interior do estado da Bahia em Fevereiro passado numa operação até hoje com muitos pontos obscuros.

Além dos dois líderes presos, que estavam numa casa de alto padrão na Vila Valqueire, zona oeste da cidade do Rio de Janeiro, foi preso um outro homem, que não tem em princípio nada a ver com a operação desta terça-feira mas contra o qual se verificou também existia um mandado de prisão. A polícia tentava a meio da manhã cumprir outros dois mandados de prisão e 20 mandados de busca e apreensão em endereços ligados a presumíveis membros da organização criminosa.

Formado por polícias da activa e ex-polícias, o "Escritório do Crime", ao invés de dominar vastos territórios, como outras milícias do Rio de Janeiro, especializou-se em assassínios por encomenda. Os seus membros são exímios atiradores, agem com total frieza e a soldo de quem os contrata, e costumam usar roupas que dificultam uma eventual identificação visual, nomeadamente camuflados e toucas, e usam sempre armas de última geração e grosso calibre.

Foi supostamente a mando do "Escritório do Crime" e do "Capitão Adriano" que dois ex-polícias já presos, Ronnie Lessa e Hélcio Queiroz, executaram em 14 de Março de 2018 com uma única rajada de metralhadora Marielle e Anderson numa rua do bairro do Estácio, depois de perseguirem o carro deles por vários quilómetros por ruas do Rio de Janeiro. Ronnie, que era o vizinho da frente de Jair Bolsonaro no condomínio da Barra da Tijuca onde o presidente e um dos filhos, Carlos Bolsonaro, têm residências, é apontado como o autor dos disparos e Hélcio o condutor do carro dos assassinos, mas, mais de dois anos após as mortes, ainda não foi identificado o mandante dos crimes nem o motivo.
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