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Polícia pisa pescoço de mulher negra durante detenção em São Paulo

Agente pisa e pressiona com bota o pescoço de uma mulher negra, já imobilizada e algemada no chão.
Domingos Grilo Serrinha e correspondente no Brasil 13 de Julho de 2020 às 16:33
Polícia pisa pescoço de mulher negra durante detenção em São Paulo
Polícia pisa pescoço de mulher negra durante detenção em São Paulo FOTO: Direitos Reservados/ Twitter

Uma nova abordagem policial violenta contra uma pessoa da raça negra, ainda mais sendo mulher e estando já totalmente dominada, chocou o Brasil na noite deste domingo, 12 de Julho, quando imagens da brutalidade dos agentes foram exibidas no programa "Fantástico", da Tv Globo.

Nas imagens, que circulam em redes sociais, vê-se um agente da Polícia Militar de São Paulo a pisar e pressionar com a bota o pescoço de uma mulher negra, já imobilizada e algemada no chão, em Parelheiros, bairro no extremo sul da capital paulista.

A mulher, uma comerciante de 51 anos, contou à reportagem que pediu repetidamente ao agente que não a sufocasse, mas ele continuou a pressionar o pescoço dela e a certa altura ajoelhou-se e passou a pressionar também as costelas da vítima com a outra bota. A comerciante contou que chegou a desmaiar por quatro vezes e que, na última, ao acordar percebeu que estava no outro lado da rua, deitada no passeio.

Testemunhas disseram que a comerciante foi arrastada, aparentemente sem sentidos, pelos polícias para o outro lado da rua. Ela teve uma das pernas partidas logo no início da ação policial, quando um dos agentes, depois de a empurrar violentamente contra as grades do bar dela e de lhe ter dado vários murros, lhe deu uma rasteira que a fez desequilibrar-se e cair ao chão.

A ação policial agora denunciada aconteceu dia 30 de Maio, mas só teve repercussão agora, quando as imagens chegaram à imprensa. O governador de São Paulo, João Doria, que costuma demorar bastante para agir em casos de violência policial, afirmou que afastou dois dos agentes envolvidos assim que tomou conhecimento do caso.

De acordo com a vizinhança, a polícia foi chamada depois de um cliente do bar da mulher agredida ter aumentado o volume do som do carro parado em frente ao estabelecimento e ficado dentro do veículo a beber e a ouvir música. Quando a polícia chegou e começou a agredir o cliente e outras pessoas que estavam no local a comerciante saiu do bar e foi pedir calma aos agentes, que responderam ainda com mais violência.

Cenas como as deste caso, que relembram a trágica morte de George Floyd nos EUA semanas atrás, quando ele, também negro, morreu depois de o seu pescoço ter sido pressionado por um polícia branco por quase nove minutos, estão a ocorrer com uma alarmante frequência pelo Brasil.

Polícias de São Paulo, Rio de Janeiro e outras cidades brasileiras têm protagonizado abordagens cada vez mais violentas e usado força totalmente desnecessária contra pessoas já dominadas, na sua maioria negras.

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