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"Portugal preparou-se para o pior": Secretário de Estado da Saúde explica o 'milagre' português lá fora

Em entrevista ao The Guardian, António Sales sublinhou que o Governo português "tomou as medidas certas na hora certa".
Correio da Manhã 19 de Abril de 2020 às 19:14
António Lacerda Sales
António Lacerda Sales FOTO: Manuel de Almeida/Lusa

O governo português atribuiu o "segredo" sobre o reduzido número de casos de coronavírus no país a uma resposta rápida e flexível ao "pior cenário".

Numa entrevista ao jornal britânico The Guardian, António Sales, Secretário de Estado da Saúde, sublinhou que o Governo português "tomou as medidas certas na hora certa" para evitar propagação do coronavírus. Sales afirmou que a resposta dada por Portugal foi baseada nos "melhores conselhos científicos e na experiência de outros países".

Sobre a decisão de encerrar as escolas e universidades em meados de março, esta foi crucial para evitar a maior transmissão da doença, uma medida que antecipou a "disseminação e transmissão na comunidade".

Recorde-se que Portugal declarou o Estado de Emergência seis dias após o encerramento dos estabelecimentos de ensino.

O Secretário de Estado da Saúde admitiu que o país "preparou-se para o pior".

O aumento da capacidade de ventilação invasiva e laboratorial e o aumento do número de camas em cuidados intensivos foram fatores igualmente fundamentais, segundo o Secretário de Estado da Saúde, que destacou os investimentos no SNS português realizados nos últimos anos.

"Entre dezembro de 2015 e dezembro de 2019, a força de trabalho nacional em saúde aumentou 13%, o que significa que mais de 15.000 profissionais de saúde, incluindo 3.700 médicos e 6.600 enfermeiros, estão trabalhando", concluiu.

"Assim, Portugal teve a oportunidade de observar o que outros países estavam passando, ver quais medidas estavam sendo tomadas e aprender com essas experiências. Portugal acabou implementando mais ou menos as mesmas medidas que outros países - e ao mesmo tempo - mas a epidemia aqui estava em um estágio muito anterior ao de outros países ".

No país vizinho Espanha, a assistência médica é da responsabilidade dos 17 governos regionais autónomos, o que provocou uma falta de resposta da parte do Governo central, escreve o jornal britânico.

Em Portugal, verificou-se um consentimento geral dos vários partidos políticos sobre a importância da tomada de medidas para evitar a maior propagação do vírus. "Os partidos políticos adotaram um comportamento responsável porque todos entendiam muito bem a importância de se unirem para enfrentar uma pandemia inesperada com consequências dramáticas", afirmou Sales.

O Secretário de Estado da Saúde frisou que "estamos constantemente a aprender com o surto e com as experiências de outros países. Estaremos melhor preparados para a próxima vez, com certeza".

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