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Portugueses retidos há 75 dias num navio devido às "normas sanitárias". Rede diplomática tenta o desembarque

Caso passa-se com a tripulação de vários navios da companhia Seabourn, que ficaram retidos ao largo do México e dos Estados Unidos.
Lusa 16 de Maio de 2020 às 20:30
Berta Nunes, secretária de Estado das Comunidades Portuguesas
Berta Nunes, secretária de Estado das Comunidades Portuguesas FOTO: Nuno Fernandes Veiga
A secretária de Estado das Comunidades disse hoje à Lusa que a rede diplomática tem acompanhado portugueses retidos há mais de 75 dias em navios-cruzeiro, mas explicou que têm sido impedidos de sair pelo México e Estados Unidos.

"A situação das tripulações retidas em navios-cruzeiro, ao largo dos Estados Unidos e México, está a ser acompanhada de forma muito próxima pela rede diplomática, no sentido de garantir o desembarque das tripulações", afirmou Berta Nunes, numa declaração enviada à agência Lusa.

O desembarque encontra-se, no entanto "impedido pelas normas sanitárias e de segurança em vigor naqueles países", acrescentou.

O caso passa-se com a tripulação de vários navios da companhia Seabourn, que ficaram retidos ao largo do México e dos Estados Unidos no âmbito das medidas de segurança aplicadas para conter a pandemia da covid-19.

A Lusa tentou contactar alguns dos portugueses que estão num dos navios, mas, até ao momento, foi impossível estabelecer ligação.

No entanto, um desses portugueses enviou um e-mail, explicando estar ancorado na baía de Porto Vallarta, no México, a bordo do Koningsdam.

"Não tenho a certeza de quantos portugueses temos a bordo, considerando que temos membros da tripulação de oito navios diferentes e mais de 70 nacionalidades", refere, adiantando que têm sido cumpridas todas as regras necessárias para o desembarque.

Cumprimos a "distância social, usamos uma máscara facial em todos os momentos numa área pública, [estamos em] cabine individual, [os] horários de refeições [são] de meia hora [e] para um certo número limitado de pessoas, [cumprimos a] higienização obrigatória de mãos e a verificação de temperatura duas vezes por dia", garantiu.

Referindo que já ultrapassaram os 75 dias em autoisolamento, o português garante que não foi registado a bordo nenhum caso de infeção pelo coronavírus que provoca a covid-19.

"Estamos todos saudáveis e em boa forma e, portanto, não entendemos qual a razão que leva todos os países a que chegamos a recusar o nosso pedido de desembarque" e "a oportunidade de regressar aos nossos países", lamenta, acrescentando não entender também o tratamento de governos e políticos.

A edição de hoje do Jornal de Notícias adianta estarem 14 portugueses no navio, além de outros tripulantes de diferentes nacionalidades.

A embarcação começou o seu percurso em Miami, nos Estados Unidos, com o objetivo de passar por todos continentes.

"Entretanto, após algumas paragens, alguns portos começaram a proibir-nos a entrada. No Sri Lanka, por exemplo, só conseguimos receber provisões. Fizemos então uma travessia de 18 dias, sem parar, até a Austrália porque nenhum porto antes disso nos deixou desembarcar. Até porque a seguir ao Sri Lanka era a Ásia", contou uma das portuguesas a bordo, Joana Ferreira, ao JN.

Segundo a mesma fonte, os hóspedes conseguiram desembarcar a 18 de março, quando chegaram à Austrália, mas a tripulação manteve-se a bordo, até porque se pensava que a pandemia seria "algo temporário".

Seguiram depois viagem até ao Havai, Los Angeles e, por fim, México, onde foi sempre negado o desembarque de qualquer elemento da tripulação que não fosse originário do país.

A 28 de abril, a tripulação, já em isolamento, foi transferida para um segundo navio, que acolhe tripulações de outros barcos da mesma companhia, com a justificação de que "supostamente seria mais fácil ir para casa", lembrou.

Na declaração hoje enviada à Lusa, a secretária de Estado das Comunidades assegurou que "a rede diplomática tem feito diligências, em conjunto com outros países com nacionais retidos a bordo, tanto junto das empresas, como das autoridades norte-americanas e mexicanas".

O objetivo das diligências é, segundo Berta Nunes, procurar que, "no diálogo com empresas e autoridades locais, os cidadãos nacionais possam ser autorizados a desembarcar o mais rapidamente possível".

"No que respeita ao navio Konigsdam, com 12 nacionais a bordo, entre quase duas centenas de tripulantes europeus, prosseguem diligências para que seja autorizado o desembarque pelas autoridades locais e federais do México", concluiu.

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