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Presidente de Moçambique diz que país enfrenta "uma versão de guerra" diferente

Filipe Nyusi falou do conflito armado em Cabo Delgado durante o discurso solene do Dia das Forças Armadas de Defesa de Moçambique.
Lusa 25 de Setembro de 2020 às 12:22
Filipe Nyusi
Filipe Nyusi FOTO: EPA
O Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, considerou esta sexta-feira que o país enfrenta "uma versão de guerra diferente" das anteriores que o território já viveu, porque está a combater um "terrorismo" que se carateriza por ser "imprevisível e difuso".

Filipe Nyusi falou do conflito armado em Cabo Delgado, norte de Moçambique, durante o discurso solene do Dia das Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM), que se assinala hoje.

"Os jovens das FADM têm demonstrado alto sentido de patriotismo, bravura e galhardia, enfrentando uma versão de guerra diferente das lutas passadas", afirmou Nyusi.

O chefe de Estado moçambicano revelou que na quinta-feira as FADM "repeliram fortemente um ataque" de grupos armados no posto administrativo de Bilibiza, distrito de Quissanga, província de Cabo Delgado.

Filipe Nyusi não deu detalhes sobre o incidente.

O chefe de Estado moçambicano reiterou que o país está a ser alvo de ataques terroristas em Cabo Delgado, o que exige uma resposta à altura das FADM.

"Hoje, com a globalização, as ameaças são difusas e mais imprevisíveis, o que exige elevados níveis de flexibilidade e prontidão combativa", afirmou.

O terrorismo, crime transnacional, pirataria e crimes cibernéticos são alguns dos crimes para os quais os Estados têm de estar preparados, frisou Filipe Nyusi.

O Presidente moçambicano avançou que as ameaças à independência e integridade territorial mostram a pertinência da modernização e redimensionamento das FADM e o erro da tentação de tratar a instituição militar como "uma questão menor".

"É importante que os moçambicanos, independentemente da sua crença, grau de instrução, opção política ou posição social entendam a importância do seu engajamento nos assuntos de segurança, porque não são exclusivamente dos militares", destacou.

A defesa nacional, prosseguiu, deve ser um tema que mobiliza a todos.

Cabo Delgado é a província costeira mais a norte de Moçambique, local dos megaprojetos de exploração de gás natural e que enfrenta uma crise humanitária com mais de mil mortos e 300.000 deslocados internos - resultado de três anos de conflito armado entre as forças moçambicanas e rebeldes, cujos ataques já foram reivindicados pelo grupo 'jihadista' Estado Islâmico, mas cuja origem continua por esclarecer.

As cerimónias centrais do dia das FADM decorreram em Maputo e, além do discurso solene do Presidente da República, foram marcadas pela entrega de medalhas a 30 personalidades da vida política, desportiva e das áreas de ciência e tecnologia em reconhecimento pelos seus feitos em prol do país.

O dia das FADM é uma homenagem aos então jovens combatentes da Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), atual partido no poder, que em 25 de setembro de 1964 lançaram a guerra de libertação nacional contra o colonialismo português.

A guerra durou dez anos até à proclamação da independência nacional, em 25 de junho de 1975.

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