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Correio da Manhã

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Procurador-geral brasileiro acusado de proteger Bolsonaro

Augusto Aras tentou travar investigação que pode atingir os filhos do presidente.
Domingos Grilo Serrinha e correspondente no Brasil 30 de Maio de 2020 às 10:03
Jair Bolsonaro, presidente do Brasil, com o Procurador-geral Augusto Aras
Jair Bolsonaro, presidente do Brasil, com o Procurador-geral Augusto Aras FOTO: Reuters
Numa manobra vista como uma tentativa de proteger o clã Bolsonaro, o procurador-geral da República do Brasil, Augusto Aras, está a tentar travar uma investigação que tramita no Supremo Tribunal Federal que pode atingir em cheio os filhos do presidente. O inquérito investiga o disparo de milhões de notícias falsas e de ameaças de morte contra juízes do Supremo através do denominado ‘gabinete do ódio’.

Na quinta-feira, Aras pediu o fim da investigação após uma operação da Polícia Federal ter vasculhado casas e escritórios de aliados de Bolsonaro, entre eles autores de blogues, empresários e deputados. Esta sexta-feira, o PGR reforçou a manobra, pedindo ao tribunal que dê prioridade a outra investigação, a que apura as manifestações antidemocráticas que se realizam todos os domingos em Brasília, desde março, pedindo uma intervenção militar para fechar o Supremo Tribunal e o Congresso.

Apesar de Jair Bolsonaro ter participado em todas estas manifestações, este inquérito não representa grande risco para o presidente, pois o que se investiga é quem financia as manifestações anticonstitucionais e o pior que pode acontecer é chegar a alguns empresários e autores de blogues.

Já o outro inquérito, o do ‘gabinete do ódio’, pode atingir diretamente os filhos do presidente, Flávio, Eduardo e Carlos Bolsonaro, sobre os quais recaem muitos indícios de estarem por trás da organização, classificada pelo relator do processo no Supremo, Alexandre de Moraes, como uma associação criminosa que espalha notícias falsas contra adversários do presidente e ameaça incendiar o Supremo e matar juízes à queima-roupa. Um relatório da Polícia Federal que veio a público há dias aponta Carlos Bolsonaro como um dos líderes da organização, que supostamente funciona no Palácio do Planalto, sede da presidência.

PORMENORES
Revolta contra procurador
As constantes manobras de Augusto Aras para defender Bolsonaro criaram um clima de revolta no Ministério Público, e um grupo de procuradores apresentou já no Congresso um pedido para mudar as regras de escolha e de atuação do PGR.

Elogios de Bolsonaro
Além de ter visitado o procurador-geral de surpresa, há dias, Bolsonaro tem elogiado a atuação dele, condecorou-o com uma medalha habitualmente só concedida a militares e deu a entender que o nomeará para o Supremo Tribunal Federal quando surgir uma vaga.
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