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Correio da Manhã

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Procuradoria do Panamá embarga 12 milhões em contas relacionadas com caso Odebrecht

Construtora terá financiado ilegalmente a campanha do candidato José Domingo Arias.
12 de Maio de 2017 às 09:22
Odebrecht
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O departamento da Procuradoria do Panamá que investiga o caso de corrupção relacionado com a construtora brasileira Odebrecht informou, na quinta-feira, que embargou mais de 13 milhões de dólares (12 milhões de euros) em contas bancárias.

Do total, 10 milhões de dólares (9,2 milhões de euros) estão "em nome de uma empresa construtora brasileira", 485.212 e 10.766 dólares (446.500 e 9.907 euros) em duas contas de um gerente dessa empresa, que não foi identificado, e 3,2 milhões de dólares (2,9 milhões de euros) numa conta de "valores fixa", indicou o Ministério Público, em comunicado, sem mais pormenores.

A unidade especializada de anticorrupção, criada para gerir os casos e denúncias contra a Odebrecht depois de ter estalado o escândalo do pagamento de subornos, fez o anúncio no mesmo dia em que foi conhecida a denúncia da publicitária brasileira Mónica Moura.

Mónica Moura disse à justiça brasileira que a construtora, por um acordo com o antigo Presidente do Panamá Ricardo Martinelli, financiou ilegalmente, com 16 milhões de dólares (14,7 milhões de euros) a campanha do candidato José Domingo Arias nas eleições de 2014, das quais saiu vencedor o atual chefe de Estado, Juan Carlos Varela.

As declarações de Mónica Moura e do marido, o também publicitário João Santana, feitas no âmbito de um acordo de delação premiada [colaboração em troca da redução da pena] com investigadores da Operação Lava Jato, foram divulgadas na quinta-feira, depois de o juiz instrutor do Supremo Tribunal ter levantado o sigilo dos depoimentos.

A Procuradoria do Panamá indicou que uma das investigações, na sequência das denúncias, envolve o partido do ex-presidente Martinelli, Mudança Democrática.

A investigação no Panamá teve início após uma denúncia, em setembro de 2015, sobre empresas panamianas que foram utilizadas para transferências de dinheiro ligadas ao escândalo da Lava Jato, lembrou a Procuradoria.

Posteriormente, em fevereiro de 2016, o advogado e ex-embaixador do Panamá na Organização de Estados Amerianos (OEA) Guillermo Cochez apresentou uma queixa em que advertiu que Santana, que tinha trabalhado na campanha eleitoral de 2014 no Panamá, estava a ser investigado no Brasil.

O Ministério Público indicou que convocou, desde o início do ano, oito pessoas a prestarem depoimento por supostos delitos contra a ordem económica e contra a administração pública.

A procuradoria panamiana mantém abertas seis investigações relacionadas com a Odebrecht, em que pelo menos 17 pessoas foram incriminadas, incluindo os filhos do ex-presidente Martinelli, Ricardo Alberto e Luis Enrique Martinelli Linares.

No âmbito do caso do pagamento de subornos, o Ministério Público acusou os dois irmãos de terem recebido pelo menos 22 milhões de dólares da construtora brasileira.

Até ao momento, foram-lhes embargadas duas contas bancárias na Suíça, um apartamento de luxo em Espanha e um helicóptero no México.

A dimensão internacional do escândalo foi conhecida em finais de 2016, quando o Departamento de Estado norte-americano divulgou que a multinacional admitiu ter pagado 788 milhões de dólares (725 milhões de euros) em subornos, em 12 países da América Latina e África.

Entre estes subornos, contam-se 59 milhões de dólares (54,2 milhões de euros) no Panamá durante a administração do Presidente Martinelli (2009-2014).

A construtora brasileira é a principal empresa com o qual o Estado panamiano tem contratos e desde que chegou ao Panamá, em 2007, executou projetos que ultrapassaram os nove mil milhões de dólares (8.281 milhões de euros).
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