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PT insiste na candidatura de Lula da Silva

Partido dos Trabalhadores garante estar disposto a tudo para ter ex-presidente como candidato em outubro.
Domingos Grilo Serrinha e correspondente no Brasil 26 de Janeiro de 2018 às 01:30
PT insiste na candidatura de Lula da Silva
Lula da Silva
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Lula da Silva
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Lula da Silva
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PT insiste na candidatura de Lula da Silva
PT insiste na candidatura de Lula da Silva
Um dia após a Justiça ter condenado Lula da Silva por corrupção pela segunda vez, o que, de acordo com a Lei da Ficha Limpa, pode tirá-lo da corrida para as presidenciais de outubro e levá-lo para a cadeia, o Partido dos Trabalhadores relançou esta quinta-feira a candidatura presidencial do antigo presidente e deixou claro que está disposto a tudo para ter o nome de Lula nos boletins de voto. Tanto Lula como a presidente do PT e vários dirigentes do partido ameaçaram claramente radicalizar os protestos e incitaram a população à desobediência civil.

"Este cidadão simpático não tem razão alguma para respeitar a decisão tomada ontem [quarta-feira] pela Justiça. É importante que vocês tenham claro que não estamos a jogar sozinhos no campo. Há outros candidatos, e as pessoas que me julgaram ontem ainda têm tinta na caneta e certamente vão criar mais obstáculos para que o Lula não continue a andar aí pelo país a falar mal deles. Esta candidatura só será possível se o povo brasileiro se mobilizar, se vocês forem capazes de a levar até ao fim mesmo que aconteça o indesejável", afirmou Lula durante a reunião da Comissão Executiva Nacional do PT, em São Paulo, em que a sua candidatura foi relançada na presença de representantes de dezenas de entidades sindicais, movimentos sociais, deputados, autarcas e governadores.

Já a líder do PT, Gleisi Hoffmann, voltou a repetir que o julgamento no Tribunal de Porto Alegre foi "uma farsa" e acusou os juízes de "combinarem os votos"para condenarem Lula a 12 anos de prisão e o afastarem da corrida presidencial.

Hoffmann voltou ainda a dizer que o caminho agora é a radicalização nas ruas, sendo acompanhada na ameaça por vários oradores, nomeadamente o senador Lindbergh Farias, líder do partido no Congresso.

"Não tenho ilusões, não vamos encontrar saída dentro das instituições, não vamos derrotar este golpe com uma decisão judicial. Só temos um caminho, que são as ruas, as mobilizações, a rebelião cidadã, a desobediência civil", afirmou.

O ‘triplex’ que tramou o ex-presidente 
O caso que levou à condenação de Lula está relacionado com a posse de um luxuoso apartamento de três andares na elegante Praia da Enseada, em Guarujá, no litoral do estado de São Paulo.

Lula nega que o apartamento seja dele, mas a Justiça considerou provado, por duas vezes, que o ex-presidente recebeu o imóvel como parte de ‘luvas’ pagas pela construtora OAS em troca de contratos milionários com a petrolífera Petrobras.

Líder do PT apela à radicalização
Gleisi Hoffmann, que há dias tinha avisado que para prender Lula "vai ser preciso prender e matar muito gente", apelou aos apoiantes para ficarem nas ruas e ameaçou radicalizar os protestos.

Saída de Lula pode fazer avançar Luciano Huck 
A nova condenação de Lula pode ressuscitar as aspirações presidenciais do apresentador de TV Luciano Huck. Sem Lula na corrida, Huck pode atrair o voto das massas. Sondagens dão-lhe 15%.

"Não mandam no Brasil"
Depois de a presidente do PT, Gleisi Hoffmann, ter dito que o momento era de radicalizar a luta e de o povo ir para a rua defender Lula, o líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), João Pedro Stédile, deixou ontem claro o que os aliados do ex-presidente estão dispostos a fazer para impedirem que ele seja preso, deixando no ar várias ameaças.

"Aqui vai um recado para a dona Polícia Federal e para o poder judiciário. Não pensem que vocês mandam no Brasil. Nós, os movimentos sociais, não aceitaremos de forma alguma e impediremos por todas as formas possíveis que o companheiro Lula seja preso", disse Stédile durante a reunião da Comissão Executiva Nacional do PT, para a qual foi convidado, recebendo uma forte ovação.

As ameaças de Gleisi e de Stédile juntam-se às de outros aliados de Lula, que há muito preconizam o uso da força contra o que consideram um "golpe" das elites para impedir o antigo governante de disputar as presidenciais de outubro, alguns dos quais, incluindo líderes da maior central sindical brasileira, CUT, chegaram ao ponto de afirmar estarem preparados para, se for preciso, empunhar armas em defesa do ex-presidente.
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