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Correio da Manhã

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Rebelião contra Boris Johnson devido a escândalo das festas pode forçar demissão

Deputado conservador desertou para a oposição trabalhista e outro pediu ao PM que se demita “pelo amor de Deus”.
Francisco J. Gonçalves 20 de Janeiro de 2022 às 08:25
Boris Johnson recusa demitir-se mas os pedidos para que o faça aumentam no seu próprio partido que poderá convocar uma moção de censura em breve
Boris Johnson recusa demitir-se mas os pedidos para que o faça aumentam no seu próprio partido que poderá convocar uma moção de censura em breve FOTO: Reuters
O escândalo crescente das festas de membros do governo em períodos de confinamento por causa da Covid causou uma vaga de revolta no Partido Conservador que desembocou esta quarta-feira numa verdadeira rebelião contra o primeiro-ministro Boris Johnson. Além de ameaças de moção de censura, o ex-ministro conservador, David Davis, pediu a Johnson, “pelo amor de Deus”, para se demitir e outro deputado do partido passou para a bancada da oposição, na que foi a primeira deserção para o Partido Trabalhista em 15 anos.

O governo negou, contudo, relatos segundo os quais Johnson chorou no dia anterior, quando implorava a um grupo de deputados para lhe darem mais tempo. Um deles terá respondido que o primeiro-ministro “sabe que está acabado”.

Davis fez o marcante pedido de demissão a Johnson citando para o efeito o deputado conservador Leo Amery, que em 1940 criticou a gestão da guerra contra os nazis do então primeiro-ministro Neville Chamberlain, dizendo-lhe: “Está nesse cargo há demasiado tempo para o bem que fez. Pelo amor de Deus, demita-se.”

O choque destas palavras foi superado pela deserção de Christian Wakeford, que acusou Johnson de desiludir os eleitores e elogiou a postura do líder trabalhista, Keir Starmer, contrastando-a com a leviandade do primeiro-ministro.

Como se não bastasse, cerca de 20 deputados conservadores terão mantido uma reunião na terça-feira para coordenar o envio de cartas solicitando uma moção de censura a Johnson. De acordo com alguns relatos, a barreira das 54 cartas requeridas para convocar a moção pode já ter sido superada.

Apesar disso, é de crer que o partido aguarde os resultados da investigação em curso às irregularidades cometidas nas festas proibidas antes de propor a moção para afastar o PM.

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54
é o número de cartas que têm de ser enviadas por deputados conservadores a pedir uma moção de censura interna para que esta possa avançar. O número equivale a 15% dos 360 deputados conservadores. A moção pode ser convocada no próprio dia em que for alcançado o número de 54 cartas.

Regras de afastamento
Caso vença, Johnson mantém o cargo e só pode ser desafiado de novo um ano depois; se perder, deixa a chefia do partido e do governo e o sucessor eleito termina o mandato de PM.
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