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Regina Duarte demite secretária-adjunta da Cultura. Jane Silva foi escolhida pela atriz

Atriz aceitou o convite de Bolsonaro para secretária nacional da Cultura, mas ainda não assumiu oficialmente o cargo.
Domingos Grilo Serrinha e correspondente no Brasil 8 de Fevereiro de 2020 às 17:57
Bolsonaro e Regina Duarte
Regina Duarte
Bolsonaro e Regina Duarte
Regina Duarte
Bolsonaro e Regina Duarte
Regina Duarte

A atriz brasileira Regina Duarte, convidada no passado dia 17 de janeiro pelo presidente Jair Bolsonaro para secretária nacional da Cultura e que já atua como tal mas que até hoje não assumiu oficialmente o cargo, parece ter-se adaptado rapidamente ao estilo caótico do Governo, com sucessivas idas e vindas e demissões sumárias. Regina demitiu esta semana do cargo de secretária-adjunta da Cultura a reverenda Jane Silva, que ela mesmo tinha escolhido pessoalmente há alguns dias.

Até ao momento, não foram avançados os motivos da exoneração da religiosa evangélica, cuja demissão, na verdade, não foi oficialmente anunciada por Regina, tendo sido descoberta e noticiada pela imprensa. Jane trabalhava, até esta semana, como secretária-interina da Cultura, uma vez que Regina Duarte, apesar de ter aceite o convite e já ter sido confirmada no cargo por Bolsonaro, ainda não tomou posse, ou seja, oficialmente não faz parte do Governo, não obstante já trabalhar na sede da pasta e despachar com o presidente e ministros.

Até este sábado não foi ainda informado por que razão a atriz ainda não tomou posse, mesmo tendo aceite o convite que lhe foi endereçado pelo presidente. Bolsonaro, questionado sobre isso, limitou-se a dizer que não tem pressa alguma em oficializar Regina e que esta precisa de tempo para resolver questões particulares.

A demora, no entanto, pode ter a ver com alguns problemas que a atriz enfrenta na sua vida pessoal e profissional e que não eram conhecidos do grande público mas vieram à tona após o convite para fazer parte do Governo de Bolsonaro. Entre eles uma dívida de 69 mil euros que Regina Duarte tem para com a pasta da Cultura por um financiamento para montagem de uma peça que teve a prestação de contas rejeitada por supostas irregularidades no uso do dinheiro. Uma outra questão pendente prende-se com a justiça, na qual a atriz reclama a propriedade de um apartamento de luxo no qual viveu durante alguns anos anos como inquilina alegando usucapião e ainda a difícil negociação para finalizar o contrato com a Tv Globo, onde esteve durante 50 anos.

A atriz, de 72 anos, também está abalada pela vaga de críticas e ataques que passou a receber até de artistas depois das primeiras medidas que tomou ao aceitar o convite para comandar a Cultura. O mundo artístico recebeu o convite com muitos bons olhos, avaliando que Regina, uma atriz respeitada, poderia pacificar e equilibrar a área, marcada pelo radicalismo de Jair Bolsonaro, mas a atriz dececionou muitos dos apoiantes iniciais ao endossar posicionamentos preconceituosos do presidente e ao colocar no segundo posto da pasta uma pastora com postura muito mais religiosa e limitante do que um outro nome ligado realmente às artes.
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