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Correio da Manhã

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Regulador brasileiro recebe primeiros pedidos para uso de emergência de vacinas contra a Covid-19

Há dois laboratórios, no Brasil, a produzir vacinas contra o coronavírus.
Domingos Grilo Serrinha e correspondente no Brasil 8 de Janeiro de 2021 às 20:13
Preparação de vacina contra a Covid-19
Preparação de vacina contra a Covid-19 FOTO: Reuters

A Anvisa, Agência Nacional de Vigilância Sanitária, orgão regulador brasileiro para medicamentos, recebeu esta sexta-feira os dois primeiros pedidos para uso de emergência de vacinas contra o coronavírus. Os dois pedidos foram feitos por dois respeitados laboratórios do país, o Instituto Butantan, de São Paulo, e a Fiocruz, Fundação Instituto Oswaldo Cruz, do Rio de Janeiro, que desenvolveram imunizantes em parceria, respetivamente, com a China e a Inglaterra.

O primeiro pedido foi feito logo na manhã desta sexta pelo Butantan, que já começou a fabricar a Coronavac, vacina contra o coronavírus desenvolvida em parceria com o laboratório chinês Sinovac. Horas depois, a Fiocruz também fez um pedido semelhante, neste caso da vacina desenvolvida em parceria com a Universidade de Oxford e o laboratório Astrazeneca.

Os dois pedidos são para uso emergencial, ou seja, para imunização imediata apenas de grupos de alto risco, como profissionais de saúde, idosos e pessoas com doenças pré-existentes que possam potencializar casos de Covid-19. Pela legislação, a Anvisa tem dez dias corridos, contando sábados, domingos e feriados, para dar a resposta a esses pedidos.

O Butantan é o único laboratório brasileiro que já possui doses de imunizante. O instituto recebeu desde o início de dezembro 10,8 milhões de doses da Coronavac, enviadas pelo Sinovac já prontas para uso, com as respetivas seringas e agulhas, e outros 46 milhões devem chegar em breve, além da producção própria feita em São Paulo, que pode chegar a um milhão de doses por dia.

A Fiocruz ainda não tem nenhuma dose, mas o instituto já foi autorizado pelo governo central a importar dois milhões de doses da vacina da Astrazeneca produzidas na Índia, para início da vacinação. Até final do primeiro semestre, pelos cálculos da Fiocruz, o laboratório no Rio de Janeiro produzirá 100 milhões de doses, podendo entregar outros 110 milhões na segunda metade de 2021.

O governo de São Paulo, comandado por João Dória, adversário político de Jair Bolsonaro, prevê iniciar a vacinação com a Coronavac no próximo dia 25 deste mês de Janeiro, tornando-se assim o primeiro estado brasileiro a imunizar a população. Bolsonaro, que fez de tudo para impedir o uso no Brasil da vacina fabricada em parceria com a China, ao não conseguir comprar nenhuma outra, fez esta quinta-feira às pressas um acordo de compra de 100 milhões de doses ao Instituto Butantan.

Na tentativa de confiscar os 10,8 milhões de doses já existentes em São Paulo e impedir que o opositor João Dória comece a vacinação antes do governo central, que não tem qualquer data prevista nem plano preparado, o ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello, afirmou que todas as doses existentes neste momento no Brasil foram requisitadas e passaram a ser propriedade do governo federal. Mas o Supremo Tribunal Federal deve impedir esse confisco, como já impediu medida semelhante sobre seringas e agulhas de estados e de cidades que o presidente mandou confiscar depois de não ter feito nada para adquirir as suas próprias. 

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