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Reino Unido estuda uso de testes privados para reduzir quarentena provocada pela Covid-19

Se o resultado for negativo após uma semana de quarentena, passageiros podem sair da quarentena sem ter de cumprir os 14 dias até agora exigidos. 
Lusa 19 de Outubro de 2020 às 15:19
Boris Johnson
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O Reino Unido admite permitir o uso de testes de diagnóstico privados para reduzir a necessidade de quarentena imposta aos viajantes que chegam do estrangeiro devido à pandemia de covid-19, revelou esta segunda-feira o ministro dos Transportes britânico.

Num discurso intitulado "Para além da crise" durante a conferência "Airlines 2050" sobre o setor da aviação, o ministro Grant Shapps disse que está a ser desenhado em conjunto com as transportadoras um sistema de teste "fornecido pelo setor privado e às custas do passageiro após um período de autoisolamento". 

Os passageiros terão na mesma de ficar em quarentena à chegada ao Reino Unido, mas poderão fazer um teste após uma semana e, se o resultado for negativo, sair da quarentena sem ter de cumprir os 14 dias até agora exigidos. 

Este sistema, que não tem uma data prevista para começar a funcionar, está a ser estudado num grupo de trabalho criado na semana passada que Shapps chefia juntamente com o ministro da Saúde, Matt Hancock. 

O objetivo é "encontrar soluções que implementem tudo com segurança e eficácia" e facilitar as viagens internacionais, atualmente limitadas devido às restrições impostas por vários países. 

"Temos trabalhado intensivamente com especialistas em saúde e com o setor privado de testes sobre os aspetos práticos desse regime", adiantou Shapps, que identificou como condição não afetar os serviços de saúde e a capacidade de testagem do sistema público.

Além deste sistema, Shapps referiu estar a ser estudado em conjunto com países parceiros a possibilidade de a quarentena poder ocorrer antes da partida, mas o novo presidente executivo da companhia aérea British Airways, Sean Doyle, pediu simplesmente o fim da quarentena e a introdução de testes nos aeroportos.

"Acreditamos que a melhor maneira de dar confiança as pessoas é introduzir um teste confiável e de preço acessível antes de voar. Para o Reino Unido, esta abordagem reduziria a pressão nos sistemas de teste do NHS [serviço de saúde público] no Reino Unido e no policiamento do sistema de quarentena", argumentou numa intervenção na mesma conferência.

Vários outros países têm experiências para contornar a situação, incluindo a Alemanha, onde uma empresa de diagnósticos propõe testes no aeroporto internacional de Frankfurt para pessoas não sintomáticas por 59 euros para um resultado em 12 horas e 139 euros em seis horas, cobrando mais 25 euros por um atestado médico que ajude a evitar a quarentena.

Outro projeto em ensaios é o CommonPass, um passe de saúde digital que permite aos viajantes documentar com segurança a conformidade com os requisitos de teste covid-19 através de um código QR nos seus telefones ou em papel, contornando as dúvidas sobre a fiabilidade dos laboratórios ou resultados em diferentes idiomas. 

O presidente da British Airways receia que, "mesmo que o período de quarentena seja reduzido para sete dias, as pessoas não vão viajar para cá e o Reino Unido vai ficar para trás". 

O setor da aviação foi um dos mais afetados pelas restrições impostas por diversos países às viagens internacionais, resultando na redução do número de voos e no despedimento de milhares de trabalhadores. 

O Reino Unido introduziu a necessidade de quarentena por 14 dias a todas as pessoas que cheguem do estrangeiro ao Reino Unido em 08 de junho para evitar a importação de infeções com covid-19, mas um mês depois isentou cerca de 70 países e territórios, criando "corredores de viagem internacionais".

Entretanto, devido à segunda vaga da pandemia covid-19, muitos destes destinos foram de novo considerados de risco, incluindo Portugal, que só esteve na lista de países seguros durante três semanas. 

No sábado, Itália, Vaticano e São Marino perderam o estatuto de "corredor de viagem", o qual foi atribuído de novo à ilha grega de Creta. 

Um refinamento da análise dos dados permitiu a introdução de "corredores de viagem regionais", que permite avaliar ilhas separadamente dos territórios continentais, beneficiando a Madeira e Açores, arquipélagos que estão isentos de quarentena na chegada ao Reino Unido. 

O Reino Unido é o país europeu e o quinto a nível mundial, atrás dos EUA, Brasil, Índia e México, com o maior número de mortes de covid-19, tendo contabilizado 43.646 oficialmente e 57.690 cujas certidões de óbito fazem referência ao novo coronavírus como fator contributivo.

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