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Rosalynn foi raptada aos 12 anos pelo padrasto. Durante duas décadas foi violada e forçada a ter nove filhos

Vítima foi violada desde os 10 anos.
Correio da Manhã 31 de Maio de 2020 às 14:26
A menina quando foi sequestrada pelo padrasto
Henri Michelle Piette
A menina quando foi sequestrada pelo padrasto
Henri Michelle Piette
A menina quando foi sequestrada pelo padrasto
Henri Michelle Piette
Desde os 10 anos que Rosalynn McGinnis era sexualmente abusada pelo padrasto Henri Michelle Piette. Na altura, Rosalynn tinha medo de denunciar Henri pelas ameaças que este lhe fazia. 

Ao mesmo tempo que abusava de Rosalynn, Henri agredia também a mãe desta, a sua companheira. Tudo parecia, na altura, um pesadelo, no entanto, tornou-se muito pior. 

A mãe de Rosalynn decidiu colocar um ponto final na relação que mantinha com Henri e este vingou-se raptando Rosalynn, na altura com 12 anos. 

No dia 31 de janeiro de 1997, Henri foi buscar a criança à escola, sequestrou-a e fugiu. A mãe da menina comunicou o desaparecimento da filha, mas nunca falou publicamente do caso. 

Ao longo de anos, Piette violou Rosalynn enquanto fugia com ela de estado em estado de modo a não ser apanhado. Do Texas para Montana, Idaho, Novo México, Arizona, até tentar desaparecer no México.

Para manter a jovem sequestrada irreconhecível, Piette foi mudando a aparência da vítima com mudanças de cabelo, obrigando-a a usar óculos e dando-lhe frequentemente nomes diferentes.

Com medo de fugir, a jovem foi-se mantendo nas mãos de Piette e aos 15 anos engravidou. Nos anos que se seguiram, a vítima foi ainda forçada a ter mais oito filhos do violador. Foram os seus filhos que lhe deram força para aguentar anos de abusos sexuais. 

Piette dizia às crianças que eram animais e que só estavam vivos porque Rosalynn estava lá, caso contrário ele os mataria. Os abusos passaram a físicos e as novas vítimas eram os filhos de Rosalynn e do seu agressor. 

Quando a jovem fez 18 anos, o raptor forçou-a a ir a uma esquadra no estado norte-americano do Arizona para que esta dissesse que tinha fugido. O objetivo é que o nome da jovem fosse retirado da lista de pessoas desaparecidas. Como método de coação, Piette ficou com os três filhos no carro a três quarteirões da esquadra e disse a Rosalynn que nunca mais veria os filhos se não fizesse o que estava a mandar. 

A vítima fez o que o agressor mandou e eventualmente foram viver para o México numa tenda suja e sem condições. O raptor gastava o dinheiro que tinha em álcool e droga e a jovem era forçada a implorar por comida para si e para os filhos na rua. 

O momento de viragem para Rosalynn e para os filhos foi quando esta tinha 32 anos. A mulher e os filhos estavam num supermercado à espera para pagar quando começou a falar com um casal que ali estava. O casal percebeu que algo não estava a bater certo devido à idade de Rosalynn, ao número de filhos que tinha - muitos deles subnutridos - e ao facto de ter sido mãe aos 15 anos. Quando perceberam a diferença de idades entre a jovem e o alegado pai dos filhos ficaram imediatamente em alerta. 

Piette também percebeu que o casal tinha suspeitado que algo não estava bem e forçou a família que mantinha em cativeiro a mudar de 'casa'. Porém, o homem e a mulher não desistiram e localizaram Rosalynn, tentando ajudá-la a escapar. 

Uns meses depois o filho mais velho da mulher e do agressor, de 17 anos, fugiu de casa. Rosalynn seguiu-lhe as pisadas e num momento em que o raptor tinha adormecido bêbedo, a mulher reuniu os filhos e alguns pertences e fugiu para a casa do casal que tinha conhecido no supermercado. 

Com a ajuda dos dois, a mulher conseguiu encontrar proteção das autoridades americanas no México. A vítima decidiu tornar a sua história pública. Um ano depois de ter conseguido fugir das garras de Piette, o homem foi capturado em Dallas, preso e acusado. 

À imprensa, o homem negou todos os crimes. 
"Eu nunca violei nenhuma criança, fiz amor com a minha esposa. Nós éramos casados", alegou. Piette disse que '99%' do que Rosalynn disse era mentira.

Em 2019, o caso foi finalmente julgado. Durante sete dias, o tribunal descreveu o horror total do que Rosalynn, agora com 34 anos, tinha passado durante mais de duas décadas nas mãos de Piette. Em fevereiro deste ano, Piette foi condenado a prisão perpétua por sequestro, com mais 30 anos de pena por viajar com a intenção de praticar atos sexuais com uma menor. Foi também condenado a pagar uma multa de milhares de dólares a Rosalynn pelos danos causados. 

Atualmente, 
Rosalynn vive no Missouri com os filhos e, pela primeira vez desde criança, é livre. 

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