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Correio da Manhã

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Saída de Juan Carlos “é apenas temporária”

Rei emérito disse a amigos que a sua ausência do país era um “parêntesis” e que tencionava regressar “em breve”.
Ricardo Ramos 6 de Agosto de 2020 às 01:30
Juan Carlos (à direita) deixou Espanha para proteger a imagem da monarquia e do filho, o rei Felipe VI, após as revelações sobre as suas contas secretas na Suíça
Juan Carlos (à direita) deixou Espanha para proteger a imagem da monarquia e do filho, o rei Felipe VI, após as revelações sobre as suas contas secretas na Suíça FOTO: Direitos Reservados
Nem exílio, nem fuga à Justiça, nem férias prolongadas. O rei emérito Juan Carlos garantiu a amigos que a sua saída de Espanha é um mero “parêntesis” temporário e que tenciona regressar ao país “em breve”, talvez já em setembro. De acordo com o jornal ‘El Economista’, o antigo monarca pretende regularizar primeiro a sua situação com as Finanças para poder regressar sem o risco de ser acusado de evasão fiscal.

“Não estou de férias nem abandono Espanha. Este é apenas um parêntesis”, garantiu Juan Carlos em telefonemas e mensagens enviadas a amigos na segunda-feira de manhã, a bordo do avião que o levou para destino incerto. Pelo menos assim o garantem várias fontes próximas do seu entorno citadas esta quarta-feira pelo jornal ‘La Vanguardia’. Todas frisaram o facto de os contactos terem sido feitos a partir de um avião, reforçando as suspeitas de que estaria a caminho da República Dominicana. Outras fontes, no entanto, continuam a insistir que o antigo monarca espanhol estará em Portugal, mais concretamente em Azeitão, na Quinta do Peru, propriedade dos seus amigos João Manuel Brito e Cunha e Ana Filipa Espírito Santo.

A Casa Real mantém o silêncio sobre o destino escolhido pelo rei emérito para este refúgio temporário. “Não se trata de um exílio. Está numa viagem privada e tenciona regressar. Viajou sozinho, sem assessores ou seguranças”, adiantou esta quarta-feira fonte próxima do ex-monarca.

Segundo o ‘El Economista’, Juan Carlos pretende voltar a Espanha assim que regularizar a sua situação nas Finanças de modo a evitar problemas com a Justiça, que está a investigar as suas contas na Suíça por suspeitas de branqueamento e evasão fiscal. O problema, avança o jornal, é que o rei emérito terá de pagar qualquer coisa como 65 milhões de euros em impostos em atraso e, de momento, não tem essa verba ao seu dispor.

Pormenores
Supremo rejeita medidas
O Supremo Tribunal rejeitou um pedido da associação Ómnium Cultural para decretar medidas cautelares contra Juan Carlos porque o rei emérito “não está indiciado por qualquer crime”.

À disposição da Justiça
Os advogados de Juan Carlos garantiram que ele está à disposição da Justiça e regressará a Espanha se for necessário.

Eliminar o nome
O Podemos e o partido basco Bildu lançaram uma campanha para retirar o nome de Juan Carlos das ruas, praças e edifícios públicos de Espanha.
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