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Correio da Manhã

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São Paulo faz apelo dramático para médicos voluntários ajudarem no combate à Covid-19

Este sábado estavam internados 18785 doentes naquele que é o estado mais populoso do Brasil.
Domingos Grilo Serrinha e correspondente no Brasil 7 de Março de 2021 às 12:22
Lojas fechadas devido à pandemia da Covid-19 em S. Paulo, no Brasil
Lojas fechadas devido à pandemia da Covid-19 em S. Paulo, no Brasil FOTO: Reuters

Num tom emocionado e dramático, que evidencia a gravidade da situação no estado mais populoso e rico do Brasil, o secretário estadual de Saúde de São Paulo, Jean Gorinchteyn, apelou a profissionais de saúde que não estejam neste momento na linha de frente do combate à Covid-19 para se oferecerem como voluntários.
Gorinchteyn apelou também às entidades representativas dos médicos, enfermeiros e fisioterapeutas para fazerem campanha de sensibilização entre os seus membros para trabalharem no combate à doença, que está a levar o caos aos hospitais de São Paulo e de todo o resto do país, e prometeu que, apesar do colapso previsto para daqui a poucos dias, ninguém ficará sem atendimento.

"Nós vamos continuar a abrir novas camas em hospitais. Abriremos em qualquer lugar que seja possível nesses hospitais. Seja nos anfiteatros, seja nos ambulatórios, seja nos corredores. Vai ter doente nos corredores, sim, o que nós não queremos é doente desassistido", declarou em conferência de imprensa Jean Gorinchteyn, dando uma clara imagem do desespero que atinge até os mais experientes médicos e gestores devido à brutal explosão de novos casos de Covid-19, principalmente graves.

São Paulo tinha este sábado o impressionante número de 18.785 pessoas internadas com Covid-19, sendo 8292 doentes em estado grave ou muito grave internados em UTIs, Unidades de Tratamento Intensivo, que estão perigosamente perto do colapso. A taxa de ocupação nos hospitais públicos de São Paulo é em média de 80,8%, mas em ao menos três grandes hospitais já atingiu os 100% e em outros seis superou os 95%.

Estimativa do próprio governo paulista é que daqui a 10 dias não haja mais condições de internar doentes em nenhum hospital se se mantiver o ritmo descontrolado de novas infecções diárias. Segundo Gorinchteyn, a cada dois minutos três doentes de Covid-19 são internados e a criação de novas camas de cuidados intensivos está a esbarrar na falta de profissionais especializados.

"Nós precisamos agora do apoio dos conselhos regionais de classe. Do Conselho Regional de Medicina, do Conselho Regional de Enfermagem, do Conselho Regional de Fisioterapia, para que nos ajudem com voluntários. Nós precisamos de ajuda. Porque estamos em guerra."-Acrescentou o secretário de Saúde.

Depois de no meio da semana São Paulo ter atingido o maior número de mortes por Covid-19 desde o início da pandemia em Fevereiro do ano passado, 468 vítimas letais em 24 horas, o governador João Doria decretou uma nova quarentena rigorosa, com o encerramento de todas as atividades não essenciais por 15 dias. Também foi decretado um toque de recolher obrigatório das 20 horas de um dia às 5 da madrugada do dia seguinte, numa tentativa de reduzir a circulação de pessoas e a transmissibilidade do Coronavírus, que no estado de São Paulo já matou mais de 61 mil pessoas.

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