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São Paulo pode bloquear ruas para combater violações à quarentena e evitar colapso dos hospitais

Objetivo é que dificultando a passagem das pessoas, muitas desistam de sair de casa e de continuar a desrespeitar as medidas de distanciamento social.
Domingos Grilo Serrinha e correspondente no Brasil 30 de Abril de 2020 às 18:54
Desinfeção nas ruas de São Paulo
Desinfeção nas ruas de São Paulo FOTO: Getty Images

A cidade de São Paulo, a mais populosa do Brasil e que está a ser brutalmente atingida pela pandemia do novo coronavírus, vai adotar nos próximos dias medidas mais duras para forçar as pessoas a ficarem em casa como forma de tentar reduzir o ritmo da propagação da doença e o colapso total do sistema de Saúde, já à beira do caos. O anúncio foi feito esta quinta-feira pelo secretário municipal de Saúde, Edson Aparecido.

Uma das medidas avançadas pelo secretário, sem no entanto entrar em detalhes pois tudo ainda está em fase de análise, poderá ser o bloqueio de ruas e avenidas. A ideia é que, dificultando a passagem das pessoas, muitas desistam de sair de casa e de continuar a desrespeitar as medidas de distanciamento social decretadas em Março e que cada vez mais são violadas por milhões de paulistanos, mesmo com a ordem de fechamento de comércio e outras atividades não essenciais.

Segundo monitorização via telemóvel, no início das medidas de isolamento, mais de 60% dos quase 15 milhões de habitantes da cidade de São Paulo respeitavam as restrições e as ruas estavam visivelmente vazias. Nas últimas duas semanas, porém, principalmente depois de o presidente Jair Bolsonaro incitar a população a desobedecer às regras de isolamento para não prejudicarem a economia, o índice de adesão diária à quarentena caiu para 48%, considerado por médicos e cientistas insuficiente para impedir o avanço descontrolado da pandemia.

Em resultado disso, dos 2100 mortos por coronavírus confirmados oficialmente em todo o estado de São Paulo, 1456 ocorreram na capital, a cidade de São Paulo, e isto oficialmente, porque o próprio secretário reconhece que o número real de mortes seja de, no mínimo, o dobro do oficial. As notificações de novos infetados pelo coronavírus, que até dias atrás não passavam de 800 por dia, dispararam para 3400 a cada período de 24 horas.

Todo o sistema público de Saúde da capital paulista está saturado, em alguns hospitais com 100% de ocupação das camas de UCI, Unidades de Cuidados Intensivos, apesar da criação de milhares de novas vagas em hospitais de campanha. Grandes hospitais de referência para Covid-19 já não aceitam mais pessoas que buscam atendimento, como o Emílio Ribas, unidade especializada em doenças infectocontagiosas, que diariamente recusa mais de 100 pacientes por não ter onde os acomodar nem atender.

A situação é tão dramática em São Paulo, apesar de ser uma das cidades brasileiras mais desenvolvidas e preparadas, que estão a ser cavadas 15 mil novas sepulturas em três dos maiores cemitérios de São Paulo à espera de vítimas da pandemia de coronavírus, que desde segunda-feira passada entrou numa curva ascendente desenfreada e está a matar todos os dias quase 200 pessoas confirmadamente por Covid-19. Isto além de outras tantas que também morreram devido a essa doença mas não tiveram o diagnóstico confirmado por falta de testes, e de todas as outras mortes que diariamente ocorrem pelos mais variados motivos numa megacidade como São Paulo.

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