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São Paulo ultrapassa os 100 mil infetados com coronavírus. Governador brasileiro quer reabertura do comércio

Região do Brasil mais afetada pela pandemia registou novo recorde diário de contágios.
Domingos Grilo Serrinha e correspondente no Brasil 30 de Maio de 2020 às 17:15
Coronavírus
Coronavírus xx
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O estado de São Paulo, a região do Brasil mais atingida pela pandemia de Coronavírus, ultrapassou esta sexta-feira a marca das 100 mil pessoas infectadas pela doença e registou um novo recorde diário de contaminações.

Apesar dos alarmantes números, divulgados pela Secretaria Estadual de Saúde e que mostram um forte avanço de casos e de mortes, o governador paulista, João Dória, pretende iniciar esta segunda-feira um processo de reabertura gradual de comércios, centros comerciais e outras actividades.

De acordo com o órgão regional de Saúde, o estado de São Paulo, onde vivem aproximadamente 45 milhões de pessoas, tinha esta sexta-feira 101.556 infectados com Coronavírus. Com a confirmação de mais 5600 infectados nas últimas 24 horas, de quinta para sexta, o maior número em um único dia desde que o primeiro caso foi registado, em 26 de Fevereiro, ficou claro que a pandemia avança de forma descontrolada pelo estado, como, aliás, por todo o restante do Brasil.

O número de mortos pela Covid-19, a doença provocada pelo Coronavírus, também bateu uma outra triste marca em São Paulo esta sexta-feira, o que, para muitos especialistas, principalmente infectologistas ouvidos pela imprensa, desaconselha claramente a flexibilização das medidas de quarentena neste momento. Nas últimas 24 horas já computadas pela secretaria regional, o estado de São Paulo registou 295 novas mortes devido a complicações provocadas pelo Coronavírus, aumentando o total de vítimas fatais da doença no território paulista para 7.275 vítimas, o maior número entre todos os 27 estados brasileiros.

Há uma semana, João Dória anunciou que, devido ao avanço da pandemia em São Paulo, o governo regional já tinha criado um protocolo para adoptar o chamado "lockdown", ou seja, o confinamento total e obrigatório da população, uma vez que parte significativa dos habitantes das 645 cidades paulistas, incentivados pelo presidente Jair Bolsonaro, contrário ao isolamento, continuava a desrespeitar as medidas voluntárias decretadas até agora. O autarca da cidade de São Paulo, Bruno Covas, onde se registaram mais da metade das mortes e das infecções, também defendeu o confinamento total, pois os hospitais públicos já estavam à beira do colapso, com mais de 92% das camas de cuidados intensivos já ocupadas.

De repente, e apesar do crescimento de mortes e infectados, Dória, um grande empresário que nega ter tomado a decisão por pressão do forte empresariado paulista, anunciou um programa de reabertura das cidades, dependendo o grau e a rapidez da abertura da situação de cada município, favorecendo no entanto a capital.

O autarca de São Paulo, Bruno Covas, no entanto, não podendo ou não querendo bater de frente com o governador, mas sabendo que a reabertura prevista no cronograma para começar já esta segunda-feira iria provocar uma matança de inocentes, optou por criar uma série de regras e exigências municipais que, na prática, vão dificultar a comerciantes e empresários reabrirem os seus negócios antes de meados de Junho, até se ver o comportamento da pandemia e os novos meios de combate que será possível conseguir até lá. 

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