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"Somos os pobres desta história": Bolsonaro comenta ameaça de Trump sobre aumento de taxas

Presidente brasileiro afirmou que não tem possibilidade de entrar numa disputa com os EUA.
Domingos Grilo Serrinha e correspondente no Brasil 4 de Dezembro de 2019 às 16:22
Jair Bolsonaro
Jair Bolsonaro FOTO: Getty Images

O presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, considerou que o Brasil é "o pobre da história" na disputa comercial com os Estados Unidos, cujo presidente, Donald Trump, ameaçou há dias impor novas sobretaxas sobre o aço e o alumínio brasileiros exportados para os EUA. Ao falar na manhã desta quarta-feira com os jornalistas, ao sair do Palácio da Alvorada, residência oficial em Brasília, Bolsonaro afirmou que não tem como entrar numa disputa com os EUA, mas que, por enquanto, a taxação dos metais brasileiros foi apenas uma ameaça no Twitter de Trump, não houve ainda uma decisão oficial do governo norte-americano.

"Nós importamos etanol dos EUA. Eles querem, já está bastante avançado, mandar trigo para nós. Agora, nós somos os pobres da história. Não sei quantas vezes a economia deles é maior do que a nossa. Nós estamos com chumbinho (um tipo de veneno para ratos), eles estão com .50 (uma potente metralhadora anti-aérea). Acho um pouco exagerado o que está a acontecer, por enquanto não foi sobretaxado nada, só houve a promessa dele no Twitter", respondeu Jair Bolsonaro aos jornalistas. 

Donald Trump ameaçou sobretaxar a importação de metais provenientes do Brasil e da Argentina, como retaliação ao facto, avançado por ele, de que os dois países estão a desvalorizar artificialmente as suas moedas para aumentarem as exportações.

Bolsonaro negou, lembrando que o dólar está a valorizar mundialmente e que o Banco Central do Brasil tem gasto milhares de milhões de dólares das suas reservas internacionais nos últimos dias para tentar evitar uma valorização ainda maior da moeda norte-americana.

"O mundo está globalizado. A própria discussão comercial (entre EUA e China) influencia o preço do dólar aqui. Mas Roberto Campos (presidente do Banco Central do Brasil) interferiu várias vezes vendendo dólares. Nós não queremos aumentar artificialmente, nós não estamos a aumentar artificialmente o preço do dólar aqui."-Completou o presidente brasileiro.

Bolsonaro não quis adiantar a conversa sobre a sua relação com Donald Trump, nem confirmar se já tinha falado com o presidente dos EUA para tentar evitar a sobretaxação dos produtos brasileiros.

Ao tomar posse em Janeiro, Jair Bolsonaro deixou claro que os EUA seriam a partir daí o aliado e parceiro preferencial do Brasil no comércio e na diplomacia, mas Donald Trump, apesar de ter elogiado publicamente várias vezes o brasileiro, tem tomado medidas que repetidamente contrariam os interesses do Brasil.

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