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Supremo Tribunal do Brasil suspende nomeação de amigo dos filhos de Bolsonaro para comandar a Polícia Federal

Decisão é liminar, ou seja, é provisória, e deverá ser ratificada ou anulada posteriormente pelos outros juizes do STF.
Domingos Grilo Serrinha e correspondente no Brasil 29 de Abril de 2020 às 15:08
Alexandre Ramagem, amigo do filho Carlos Bolsonaro, como novo chefe da Polícia Federal
Alexandre Ramagem, amigo do filho Carlos Bolsonaro, como novo chefe da Polícia Federal FOTO: Direitos Reservados
O juiz Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF) brasileiro, suspendeu esta quarta-feira a nomeação feita dois dias antes por Jair Bolsonaro do delegado (inspector) Alexandre Ramagem para novo director-geral da Polícia Federal (PF). A decisão de Moraes é liminar, ou seja, é provisória, e deverá ser ratificada ou anulada posteriormente pelos outros juizes do STF.

Na sua decisão, Alexandre de Moraes considerou parecer evidente haver "desvio de finalidade" na nomeação de Alexandre Ramagem para o comando da PF, razão pela qual a suspende até julgamento do mérito do assunto. A ação pedindo a suspensão da nomeação foi apresentada pelo Partido Democrático Trabalhista, PDT, oposição de esquerda ao governo Bolsonaro.

Ramagem foi nomeado por Jair Bolsonaro após indicação ao cargo por um dos filhos do presidente, Carlos Bolsonaro, de quem o delegado é amigo há anos. Acontece que Carlos é investigado pela Polícia Federal que o amigo Ramagem iria comandar, o que Alexandre de Moraes considerou no mínimo inadequado.

Sexta-feira passada, o então ministro da Justiça, Sérgio Moro, demitiu-se horas depois de Bolsonaro ter demitido o director-geral da PF, Maurício Valeixo. Ao deixar o cargo, Moro acusou Bolsonaro de ter demitido Valeixo para colocar no comando da PF uma pessoa da sua intimidade que pudesse interferir em investigações e blindar Carlos e outros membros da família presidencial investigados pela corporação.
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