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Suspeito de ataque à sede da Porta dos Fundos no Brasil foge para a Rússia

Eduardo Fauzi Richard Cerquise saiu do país pouco antes da expedição do mandado de prisão contra si.
Lusa 3 de Janeiro de 2020 às 16:37
Eduardo Fauzi Cerquise, um dos suspeitos do ataque à produtora Porta dos Fundos
Eduardo Fauzi Cerquise, um dos suspeitos do ataque à produtora Porta dos Fundos FOTO: Direitos Reservados
O homem identificado pela polícia brasileira como sendo um dos suspeitos do ataque contra a sede da produtora do grupo humorístico Porta dos Fundos embarcou para a Rússia na quinta-feira, afirmaram as autoridades à comunicação social local.

Segundo o canal televisivo Globo, o suspeito identificado no início da semana como Eduardo Fauzi Richard Cerquise saiu do Brasil na tarde de 29 de dezembro, pouco antes da expedição do mandado de prisão contra si.

A situação já foi comunicada à Interpol, polícia internacional, segundo a polícia do Rio de Janeiro.

As autoridades brasileiras anunciaram que realizaram na manhã de terça-feira buscas em dois endereços residenciais e dois comerciais ligados ao suspeito, mas que não localizaram o homem.

"Nós monitorizamos os veículos usados durante o ataque. O autor identificado saiu de um dos veículos durante a fuga e pegou um táxi. Foi expedido um mandado de prisão temporária de 30 dias contra ele, que, no decorrer das investigações, pode ser renovado", detalhou na ocasião a Polícia Civil na rede social Twitter.

No decorrer das buscas, os agentes apreenderam 119 mil reais (26 mil euros), munições, uma arma falsa, computadores e uma camisola de uma "entidade filosófica e política".

Ainda de acordo com as autoridades, o homem identificado era o único dos cinco suspeitos que não usava capuz no momento do ataque, em 24 de dezembro.

"O Eduardo [suspeito identificado] tem um perfil violento, antagónico. Ele tem livros ligados à religião cristã e ao islamismo. Ele é empresário, de classe média alta", disse o delegado da Polícia, Marco Aurélio de Paula Ribeiro.

Na madrugada de 24 de dezembro, na véspera de Natal, a sede da Porta dos Fundos foi alvo de um atentado que não provocou vítimas.

Numa nota, a produtora condenou "todos os atos de violência" e afirmou esperar que "os responsáveis por este ataque sejam encontrados e punidos".

O incidente foi filmado pelas câmaras de vigilância, tendo as imagens sido entregues às autoridades.

Em 03 de dezembro, a produtora lançou um especial de Natal na plataforma Netflix, com o título "A primeira tentação de Cristo", na qual Jesus é representado como um jovem que terá tido uma experiência homossexual e também insinua que o casal bíblico Maria e José viveram um triângulo amoroso com Deus.

A sátira, de 46 minutos, protagonizado pelos humoristas brasileiros Gregorio Duvivier e Fábio Porchat, não agradou a grupos religiosos, que criticaram a temática.

Foi também lançada uma petição contra o filme, com mais de dois milhões de assinaturas de pessoas que consideram que a obra "ofende gravemente os cristãos".

De acordo com a agência de notícias Efe, o empresário suspeito do ataque é filiado desde 2001 no Partido Social Liberal (PSL), a força política pela qual o Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, foi eleito no final de 2018.

Entretanto, há cerca de dois meses, Bolsonaro abandonou o PSL por divergências com outros dirigentes e anunciou a intenção de formar um novo partido.

Eduardo Fauzi Richard Cerquise integrava também a Frente Integralista Brasileira (FIB), um dos principais grupos nacionalistas e de extrema-direita do Brasil, e que se define como defensora dos valores cristãos, a propriedade privada e a família, que se demarcou das suspeitas que recaem sobre o empresário, tendo anunciado ainda a sua expulsão do grupo.

De acordo com a Globo, o suspeitou viajou para Moscovo, capital da Rússia, onde se encontra parte da sua família, nomeadamente a sua mulher e o filho menor.
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