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Tapa-mamilos são moda entre anónimas nas ruas do Brasil. Veja as imagens

Uso do adereço representa um grito do empoderamento feminino e de protesto das mulheres contra o conservadorismo radical.
Domingos Grilo Serrinha e correspondente no Brasil 25 de Fevereiro de 2020 às 14:04

Um adereço exíguo mas que chama mais a atenção do que uma melancia pendurada ao pescoço, o Tapa-Mamilo, antes usado quase exclusivamente por famosas que queriam causar furor, transformou-se na grande febre do Carnaval de 2020 entre mulheres anónimas que foram divertir-se em blocos carnavalescos nas ruas de todo o Brasil.

Servindo muito mais para chamar a atenção dos homens, dos fotógrafos e de outras mulheres, mas também representando um grito do empoderamento feminino e de protesto das mulheres contra o conservadorismo radical que o governo de Jair Bolsonaro tenta impor, os minúsculos Tapa-Mamilos, que no pré-Carnaval, no final de janeiro e início de fevereiro, eram vistos principalmente nos desfiles de rua no Rio de Janeiro, tomaram rapidamente conta das ruas em cidades de todo o Brasil, nomeadamente São Paulo, Salvador, na Bahia, Vitória, no Espírito Santo, e Recife e Olinda, em Pernambuco.

Feitos dos mais variados materiais, em tecido, plástico, metal ou simples adesivos transparentes, os Tapa-Mamilos podem ser adquiridos por menos de dois euros nas grandes redes lojistas, comprados pela internet ou, para quem quer exclusividade e pode pagar mais, serem encomendados a designers e artesãos que personalizam cada um deles.

Os formatos também são os mais diversos, tendo-se visto Tapa-Mamilos em forma de estrela, raio, concha, arco-íris, mãozinha a fazer o sinal de positivo, pirolito, ou, simplesmente, em forma de nada, apenas um adesivo transparente que não esconde nada mas permite à mulher dizer que não está com os seios totalmente nus.

Apesar de tanta variedade e disponibilidade, houve quem quisesse ser ainda mais original, sem deixar de aderir à moda, e improvisasse o seu próprio Tapa-Mamilo.

Numa das situações mais curiosas, repercutida pela imprensa, uma foliã desfilou pelas ruas de São Paulo usando um CD colado em cada seio, é, um CD comum, desses que antes de irem parar no chamativo detalhe do corpo feminino serviram para ouvir música.

Como já foi dito atrás, a ínfima peça, na verdade, não cobre nem protege nada, mas, mesmo assim, muitas brasileiras foram mais longe e dispensaram o adereço.

Em Olinda, a cidade histórica erguida séculos atrás pelos portugueses ao lado de Recife, um bloco carnavalesco inteiro formado só por mulheres desfilou pelas íngremes ladeiras de seios de fora, sem Tapa-Mamilos, e nos desfiles do Rio de Janeiro, de São Paulo, de Vitória, de Salvador e de várias outras cidades pelo Brasil em meio à legião de mulheres com Tapa-Mamilos outras desfilaram sem nada.

Como tudo no Carnaval do Brasil, a febre dos Tapa-Mamilos transformou-se num grande negócio. Assim que se começou a perceber que o uso desses pequenos adereços poderia transformar-se numa febre colectiva e, claro, gerar um bom lucro, a indústria acelerou as máquinas e, em poucos dias, as lojas de todo o Brasil já estavam cheias de opções, para todos os gostos e preços.

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