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Trabalhador sazonal morre após trabalhar 11 horas diárias a mais de 40 graus e sem água

Eleazar Herrera sofreu um golpe de calor. Caso aconteceu em Múrcia.
Correio da Manhã 3 de Agosto de 2020 às 19:10
Eleazar Blandón
Eleazar Blandón FOTO: Facebook
Chamava-se Eleazar Benjamín Blandón Herrera e era um trabalhador sazonal como tantos outros em Múrcia, Espanha. Porém, as condições de trabalho a que era sujeito tornaram-no notícia em Espanha após morrer vítima de um golpe de calor. 

Foi transportado numa carrinha e abandonado à porta de um centro de saúde em Lorca. A família denuncia agora o que levou à morte do trabalhador de 42 anos. 

Trabalhava numa plantação de melancia 11 horas diárias, sob temperaturas que ultrapassavam muitas vezes os 40 graus sem que pudesse beber água para se refrescar. Naquele dia acordou às 5h00 para mais um dia que viria a ser o seu último. 

De acordo com a família, que falou com alguns colegas de trabalho de Eleazar, os responsáveis pela plantação ??não o ajudaram quando se começou a sentir mal, não chamaram uma ambulância e demoraram até finalmente o socorrer. 

Ana, a irmã de Herrera, relata ao El País o desespero que ouviu pela voz do irmão numa chamada que tinha recebido: "Um dia ele ligou-me a chorar: 'Aqui eles te humilham', disse ele. 'Eles me chamam de burro, gritam comigo, dizem que sou lento. Eles atiram pó na nossa cara quando estamos agachados'".

Segundo o jornal espanhol, o empresário da plantação foi detido e não quis tecer qualquer comentário sobre o caso. 

Blandón chegou a Bilbau em outubro de 2019. Para trás deixou a mulher, Karen, grávida de cinco meses e quatro filhos na Nicarágua.
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