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Correio da Manhã

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Tráfico de armas abastece favelas

A gigantesca fronteira terrestre do Brasil, com mais de 16 800 quilómetros de extensão, é um verdadeiro queijo suíço, cheio de buracos, por onde passam livremente todo o tipo de produtos ilegais. Um levantamento feito pela Polícia Federal (PF) mostra que, só em relação ao tráfico de armas, um dos que mais afectam a população, pois abastece o crime organizado, a fronteira tem pelo menos dezassete pontos por onde ele ocorre quase sem restrições, dada a falta de meios técnicos e humanos das autoridades.
7 de Janeiro de 2009 às 00:30
As armas traficadas acabam nas mãos do crime organizado das favelas
As armas traficadas acabam nas mãos do crime organizado das favelas FOTO: António Lacerda/epa

O maior problema ocorre na fronteira com o Paraguai, que limita uma grande extensão do território brasileiro. Ao longo dessa fronteira, há tráfico de armas confirmado através de seis cidades do estado brasileiro de Mato Grosso do Sul, principalmente Ponta Porã, e de duas do estado do Paraná, uma delas Foz do Iguaçu, onde se estabelece a principal ligação entre os dois países. Da Bolívia, as armas entram no Brasil pelas cidades de Corumbá, no Mato Grosso do Sul, Cáceres, no Mato Grosso, e por outras três nos estados de Rondónia e do Acre, na floresta amazónica.

No extremo Sul do Brasil, o tráfico de armas ocorre principalmente nas cidades de Santana do Livramento, na fronteira com a Argentina, e de Uruguaiana, na fronteira com o Uruguai, enquanto no Amazonas, a principal porta de entrada de armamento ilegal é a cidade de Tabatinga, na fronteira com a Colômbia.

Além dos 17 principais pontos terrestres já identificados, as autoridades afirmam que o tráfico de armas para o Brasil também ocorre em portos como o de Santos, no estado de São Paulo, o de Sepetiba, no Rio de Janeiro, e o de Paranaguá, no Paraná, e pelo imenso lago da barragem de Itaipu, entre o Paraguai e o Brasil.

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