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Correio da Manhã

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Tribunal da ONU irrita Síria

O Conselho de Segurança da ONU votou a favor da criação de um tribunal especial para julgar os alegados culpados do assassínio do ex-primeiro-ministro libanês Rafic Hariri em Fevereiro de 2005 e outras personalidades anti-sírias em datas posteriores. A reacção da Síria, à qual muitos atribuem responsabilidade no homicídio, não se fez esperar, com o governo de Damasco a considerar a decisão uma clara violação da soberania libanesa.
1 de Junho de 2007 às 00:00
Libaneses festejam em Beirute a investigação da ONU à morte de Hariri
Libaneses festejam em Beirute a investigação da ONU à morte de Hariri FOTO: Jamal Saidi, Reuters
Promovida pelos EUA e França, a resolução foi aprovada com o voto favorável de dez dos 15 membros do Conselho, tendo os restantes cinco – Rússia, China, Qatar, Indonésia e África do Sul – preferido abster-se. Entrará em vigor no próximo dia 10.
O Líbano terá de a ratificar até aquele dia, mas se não o fizer o Conselho de Segurança poderá autorizar independentemente o tribunal, como fez com o Ruanda e a antiga Jugoslávia. Note-se que o primeiro-ministro libanês, Fouad Siniora, acolheu bem a votação, mas o presidente do Parlamento teceu ferozes críticas.
A resolução inclui um capítul que prevê sanções e intervenção militar em caso de desobediência, o qual é contestado por Pequim e Moscovo, que consideram que pode ter consequências negativas para a região.
O governo de Damasco considera que a decisão da ONU viola a soberania libanesa. “Criar um tribunal pode piorar a situação”, lê-se no comunicado emitido pelo governo sírio.
Recorde-se que uma Comissão da ONU que no ano passado investigou o assassinato de Hariri acusou altos funcionários sírios de envolvimento no assassinato. A decisão de criar um tribunal, com mandato de três anos, está estipulada na resolução 1595, que exige a retirada das tropas e agentes sírios do Líbano.
HEZBOLLAH CONTESTA DECISÃO
Na primeira reacção à implementação de um tribunal especial para julgar os eventuais culpados do homicídio de Hariri, o Hezbollah fez eco das acusações sírias e considerou que a resolução viola a soberania do país e constitui uma “ingerência agressiva” nos assuntos internos do Líbano. Posição igualmente crítica foi assumida pelo presidente do Parlamento libanês, Nabih Berri, um aliado da Síria.
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