Barra Cofina

Correio da Manhã

Mundo
4

Trump ignorou alerta em novembro sobre "evento cataclísmico" do coronavírus

Informação foi divulgada "várias vezes" às Secretas norte-americanas, ao Estado-Maior Conjunto do Pentágono e à Casa Branca.
Correio da Manhã 9 de Abril de 2020 às 13:36
Donald Trump
Donald Trump FOTO: REUTERS/Tom Brenner
Donald Trump foi informado da existência de um novo coronavírus em novembro do ano passado.

A informação foi detalhada num relatório do Centro Nacional de Inteligência Médica (NCMI) das Forças Armadas - os serviços secretos norte-americanas.

O documento, que alertou para uma doença "fora de controle" que representaria uma ameaça, demonstra que o governo norte-americano foi várias vezes avisado para "um evento cataclísmico", disse uma das fontes do relatório da NCMI. A informação foi divulgada "várias vezes" às Secretas norte-americanas, ao Estado-Maior Conjunto do Pentágono e à Casa Branca. 

"Foi definitivamente informado no início de novembro como algo que os militares precisavam adotar", confirmou a fonte dos relatórios preliminares de Wuhan.

O relatório da NCMI foi amplamente divulgado às pessoas autorizadas. Após o lançamento do documento, outros boletins das Secretas norte-americanas começaram a circular por canais confidenciais de todo o governo por altura do Dia de Ação de Graças, afirmaram as fontes. A China sabia que a pandemia estava fora de controle, mesmo mantendo informações cruciais de governos estrangeiros e agências de saúde pública.

Os alertas culminaram, no início de janeiro, com uma explicação detalhada da situação no briefing diário fornecido ao presidente sobre assuntos dos serviços secretos.

Questionado sobre o aviso de novembro, o secretário de Defesa Mark Esper disse afirmou que não se lembrava. "Não me lembro, mas temos muitas pessoas a seguir a situação de perto", afirmou.

Os críticos ao governo de Trump acusaram o mesmo de ser "péssimo e tardio" na resposta a uma pandemia que, depois de varrer Wuhan e depois partes da Europa, já matou mais de 12.000 nos EUA.

Donald Trump alternou entre tomar crédito pelas ações antecipadas e alegar que o coronavírus foi uma surpresa para ele e para todos os outros. De seguida, elogiou a sua própria decisão de 31 de janeiro de restringir viagens aéreas com a China. Ao mesmo tempo, passou semanas a dizer ao público e às principais autoridades da administração que os americanos não tinham nada a temer.

O estado de emergência nos EUA foi declarado apenas a 13 de março e mobilizou vários recursos do governo federal para ajudar as agências de saúde pública a lidar com a crise que estava prestes a acontecer.

Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)