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Correio da Manhã

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Tudo o que se sabe sobre o caso dos 39 migrantes que morreram à procura de uma vida melhor

Amigo do condutor irlandês afirma que este não sabia de nada e ficou "horrorizado".
Marta Ferreira 24 de Outubro de 2019 às 13:05
Trinta e nove mortos encontrados dentro de camião no Reino Unido
Caso do camião no Reino Unido chocou o mundo. Foram encontrados 39 migrantes mortos
Trinta e nove mortos encontrados dentro de camião no Reino Unido
Camião e reboque transferidos para local seguro
Trinta e nove mortos encontrados dentro de camião no Reino Unido
Caso do camião no Reino Unido chocou o mundo. Foram encontrados 39 migrantes mortos
Trinta e nove mortos encontrados dentro de camião no Reino Unido
Camião e reboque transferidos para local seguro
Trinta e nove mortos encontrados dentro de camião no Reino Unido
Caso do camião no Reino Unido chocou o mundo. Foram encontrados 39 migrantes mortos
Trinta e nove mortos encontrados dentro de camião no Reino Unido
Camião e reboque transferidos para local seguro
O Mundo ficou esta quarta-feira de olhos postos no Reino Unido após terem sido encontrados 39 cadáveres num contentor que vinha dentro de um camião da marca sueca Scania, registado na cidade portuária búlgara de Varna, junto ao Mar Negro. A descoberta foi feita uma zona industrial em Essex, nos arredores de Londres.

À medida que a investigação ao 'camião do horror' avança, vão sendo conhecidos novos pormenores como é o caso da nacionalidade destas pessoas e o sexo das mesmas. São todos chineses e tratam-se de oito mulheres e 31 homens, incluindo um adolescente, que, ao que tudo indica, terão morrido sufocados e congelados até a morte dentro do contentor. 

As temperaturas neste equipamento de transporte - que tinha entrado no Reino Unido, cerca de uma hora antes de ser encontrado, num ferry proveniente de Zeebrugge, na Bélgica - terão chegado aos 25 graus negativos, segundo avançam os meios de comunicação social britânicos. 

As autoridades procederam, após a descoberta, à remoção dos corpos e iniciou-se então a tarefa de identificar cada um deles. As autópsias iniciam-se esta sexta-feira e deverão determinar com mais exatidão pormenores de cada uma das vítimas. 

Sabe-se para já que se tratarão de imigrantes ilegais que procurariam uma vida melhor no Reino Unido. Esta é a tese mais sólida que, até ao momento, está a ser avançada.

Inicialmente suspeitava-se que este contentor era proveniente de Dublin, na Irlanda, e a polícia acabou por confirmar que vinha efetivamente da Irlanda, mas tinha saído daí sem carga. O trajeto que este contentor percorreu é, até agora, incerto. 

Acredita-se que os passageiros clandestinos tenham estado dentro do contentor mais de 12 horas até terem sido encontrados mortos.

A agência britânica de combate à criminalidade (National Crime Agency) afirma que está a trabalhar para identificar os "grupos de crime organizado que poderão estar envolvidos" no incidente.

O trajeto do contetor 
É ainda desconhecido o trajeto exato que percorreu este camião e em que parte do mesmo terão entrado os migrantes. Sabe-se que o contentor saiu da Irlanda sem carga e que chegou ao porto de Purfleet, no rio Tamisa, num ferry proveniente de Zeebrugge, na Bélgica. Aí já teria os migrantes dentro da estrutura. 

As autoridades belgas confirmaram que o camião chegou a Zeebrugge às 14h49, horário local (13h49 em Portugal), na terça-feira e deixou o porto belga na mesma tarde.

O ferry atracou em Essex, Reino Unido, cerca das 12h30 de quarta-feira, hora local (a mesma hora em Portugal) e o camião deixou o porto de Purfleet cerca de 35 minutos depois. 

O camião trazia estampado no vidro do camião a palavra 'Irlanda' com a mensagem "o derradeiro sonho". 

O Ministério de Relações Externas da Bulgária disse que o camião foi registado em Varna, na Bulgária "sob o nome de uma empresa pertencente a um cidadão irlandês".

Joanna e Thomas: o casal proprietário do 'camião do horror' que foi detido por tráfico humano e homicídio
A identidade do homem e da mulher de 38 anos que foram esta sexta-feira detidos por suspeita de tráfico humano e homicídio de 39 pessoas já foi revelada. Ao que tudo indica trata-se dos proprietários do camião da marca sueca Scania. 

Chamam-se Joanna Maher e Thomas e prestaram esta quinta-feira declarações, ao jornal britânico Daily Mail, negando que aquele camião fosse atualmente deles. O casal alegou que possuíam a empresa e chegaram a possuir o veículo, mas que o tinham vendido "há 13 meses".

Joanna acrescentou ainda que este tinha sido vendido a uma empresa em Monaghan, na Irlanda, perto de onde morava o motorista de camião Mo Robinson.

Ao Daily Mail, Joanna disse ainda que o que aconteceu no 'camião do horror foi "nojento". "Fui à polícia britânica porque éramos os proprietários [do camião] registados na Bulgária", alegou. "Eu própria telefonei para eles. Eles estavam felizes por termos ido falar com eles", acrescentou ainda.

"Eles sabem muito bem com quem estão a lidar e não é 
bom estar associado a isto", afirmou. A mulher concluiu ainda: "Estamos chocados."

Mo Robinson: Cúmplice de tráfico humano ou um mero 'peão'
Mo Robinson era o condutor deste camião. Tem 25 anos, é irlandês, reside em Poradown, na Irlanda no Norte, e a polícia está a investigá-lo por homicídio. Segundo o jornal Mirror, a polícia esteve até, pelo menos, a noite desta quinta-feira a interrogá-lo de forma a perceber se este tem alguma ligação ao caso. Sabe-se ainda que Mo tem uma namorada grávida de gémeos e que os pais voaram para o Reino Unido mal souberam da detenção do filho.

Segundo o jornal Telegraph, é "muito improvável" que Robinson soubesse dos alegados planos de tráfico de imigrantes para o Reino Unido. Na localidade onde vive, muitos esperam que este seja inocente e afirmam que, até prova em contrário, é nisso que acreditam.

A polícia investigava inicialmente uma suspeita de tráfico de irlandeses, de acordo com o relatório policial. Para já, a polícia não revelou a identidade de quem deu o alerta para a presença dos corpos naquele camião. 

Os amigos de Robinson, o condutor, alegam que foi o próprio quem alertou os serviços de emergência para a presença dos migrantes dentro do contentor.

Um amigo do irlandês disse ao MailOnline que este não tinha conhecimento do que estava dentro do contentor. "Aparentemente, ele estacionou na propriedade industrial [onde foi descoberto pela polícia britânica] e foi buscar a papelada de um compartimento no interior da porta do camião", afirma alegando que foi aí que detetou a presença dos migrantes e deu, alegadamente, o alerta às autoridades.

"Ficou absolutamente horrorizado", afirmou acrescentando ainda que Robinson terá desmaiado ao descobrir os corpos. 


Snakehead é um dos gangs que está na mira da polícia
'Snakehead'. Este é o nome do gang chinês que está a ser investigado pela polícia suspeito de estar por trás do contrabando de 39 chineses que morreram no 'camião do horror'. 

A conhecida rede criminosa ataca pessoas vulneráveis na China, que lutam para fugir da miséria, com a promessa de uma vida melhor no Ocidente. Terão sido os Snakehead, alegadamente, a planear a longa viagem - que se tornou um verdadeiro pesadelo - como parte de um negócio lucrativo de contrabando de pessoas.

O gang terá organizado a viagem e, ao saber da descoberta dos corpos, terá ficado furioso uma vez que os seus elementos só receberiam o dinheiro mediante a chegada dos 'clientes' vivos ao destino. 

Os lucros dos Snakehead dispararam nos últimos anos, alimentados pelo desespero dos camponeses preparados para arriscar as suas vidas para fugir da pobreza do interior rural da China.

De acordo com a investigação a este gang, muitas famílias chinesas pagam dezenas de milhares de euros pela passagem "segura" dos seus entes queridos para o Reino Unido.

À chegada, os 'clientes' desta rede serão presenteados com empregos bem pagos no Reino Unido como empregados de balcão ou funcionários de escritórios. Esta é a promessa que leva muitos a cair nas garras desta rede, no entanto, chegadas ao Reino Unido, milhares de mulheres acabam como prisioneiras em bordéis ou escravizadas em fábricas subterrâneas de canábis.

As famílias, que pagam estas viagens alegadamente seguras, nunca descobrem o que lhes acontece, mas são obrigadas a pagar ao gang milhares de euros durante vários anos.

A polícia investiga ainda três supostos membros de gangs irlandeses que podem também estar envolvidos na operação de contrabando que levou à morte dos 39 migrantes. Esta outra rede chama-se 'South Armagh' e possui ligações a paramilitares dissidentes, de acordo com o The Daily Telegraph.

Os 39 chineses mortos num contentor, descoberto em Essex, terão pagado aproximadamente 34 mil euros cada um pela viagem com a promessa de um vida melhor. 

Uma fonte, citada pelo jornal britânico Mirror, disse: "Os que morreram tinham esperanças de futuro num bom país".

Vítimas do 'camião do horror' pagaram mais de 30 mil euros cada pela viagem para o Reino Unido
Foram 39 os migrantes que morreram sufocados e congelados naquele que ficou conhecido como o 'camião do horror'. Pprocuravam melhores condições de vida no Reino Unido

Para isso pagaram 30 mil libras cada um, aproximadamente 34 mil euros, a uma rede de tráfico humano pela viagem que os levaria ao Reino Unido, mas que se tornou um verdadeiro pesadelo.

A polícia foi chamada para uma propriedade industrial de Grays, em Essex, ao início da manhã de quarta-feira e deparou-se com um cenário de horror. 39 cadáveres dentro de um contentor. As identidades das vítimas estão ainda a ser apuradas. 

Família de jovem vietnamita de 26 anos teme que esta seja uma das vítimas
A família de uma jovem vietnamita de 26 anos teme que a mulher seja uma das vítimas do 'camião do horror' onde 39 pessoas foram encontradas mortas esta quarta-feira.

Tra My foi identificada pela coordenadora Hoa Nghiem de um grupo de direitos humanos, de Hanói, após ter enviado diversas mensagens do contentor.

Segundo este grupo, a jovem terá dirigido estas mensagens antes de morrer para a mãe.

"Sinto muito, mãe. O meu caminho para o estrangeiro não foi bem-sucedido. Mãe, eu amo-te muito! Estou a morrer, não consigo respirar", disse, acrescentado: "Desculpa, mãe".

As mensagens foram enviadas na madrugada de quarta-feira. De acordo com a coordenadora da organização de direitos humanos, Pham Thi Tra My viajou para a China e planeou ir para Inglaterra através de França.

A família procura ajuda para identificar a filha entre as 39 vítimas.

Vítimas do 'camião do horror' são de origem vietnamita
A maioria das 39 pessoas encontradas mortas dentro de um camião em Essex eram provavelmente do Vietname, relatou à agência noticiosa Reuters um líder religioso da comunidade rural vietnamita ligada ao cultivo do arroz, a que se pensa que as vítimas pertenciam. 

Os corpos de 38 adultos e de um adolescente foram descobertos na quarta-feira, dia 23, quando as autoridades foram alertadas para a presença de pessoas dentro de um camião numa zona industrial em Grays, Essex. Um casal já foi detido por suspeita de tráfico humano e homicídio, bem como o condutor da viatura.

A polícia disse acreditar que as vítimas eram de nacionalidade chinesa, mas Pequim ainda não confirmou essa informação. As autoridades chinesas e vietnamitas estão a colaborar com a polícia britânica para obter a identificação.

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