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Correio da Manhã

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Tunísia diz que 800 jihadistas regressados estão detidos ou a ser vigiados

Cerca de 3 mil tunisinos juntaram-se às fileiras dos grupos jihadistas.
30 de Dezembro de 2016 às 19:08
Membro do grupo extremista Daesh
Membro do grupo extremista Daesh FOTO: Getty Images
A Tunísia anunciou esta sexta-feira ter detido ou estar a vigiar de perto 800 'jihadistas' que regressaram ao país vindos de zonas de conflito na última década.

"Alguns estão na prisão, alguns estão em prisão domiciliária e outros estão sob apertada vigilância", disse o porta-voz do Governo tunisino Iyed Dahmani sobre os combatentes que voltaram ao país de origem desde 2007.

Cerca de 3.000 tunisinos juntaram-se às fileiras dos grupos 'jihadistas' que combatem na vizinha Líbia, bem como na Síria e no Iraque, indicou Dahmani, embora a ONU apresente um número diferente, 5.000.

Na quinta-feira, o primeiro-ministro tunisino, Youssef Chahed, declarou que todos os 'jihadistas' que regressem a casa depois de combater no estrangeiro serão imediatamente detidos e julgados de acordo com a lei antiterrorista do país.

O chefe do executivo precisou ainda que as autoridades têm "listas de todos os [cidadãos tunisinos] terroristas" e "toda a informação sobre eles".

Na semana passada, o ministro do Interior, Hedi Majdoub, disse no parlamento que já regressaram das linhas da frente 800 'jihadistas'.

As preocupações com o regresso aumentaram desde que o cidadão tunisino Anis Amri, de 24 anos, foi identificado como o alegado atacante que atropelou com um camião 11 pessoas num mercado de Natal em Berlim, na semana passada, depois de ter matado o motorista.

Cidadãos tunisinos concentraram-se em frente ao parlamento no passado fim de semana para protestar contra o facto de as autoridades estarem a deixar os combatentes extremistas regressar ao país.

O Sindicato Nacional das Forças de Segurança Interna instou o Governo a retirar a nacionalidade aos 'jihadistas' tunisinos.

Mas o Presidente, Beji Caid Essebsi, argumentou, citando a Constituição, que as autoridades não podem impedir um cidadão nacional de voltar ao país natal.

Desde a sua Revolução de Jasmim, em fim de 2010 e princípio de 2011, a Tunísia foi alvo de repetidos ataques terroristas, que mataram mais de 100 soldados e polícias, bem como cerca de 20 civis e 59 turistas estrangeiros, de acordo com números oficiais.
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