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Correio da Manhã

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Turquia abre portas da União Europeia a refugiados

Grécia e Bulgária fecham fronteiras após Istambul levantar entraves à passagem de imigrantes.
Ricardo Ramos 29 de Fevereiro de 2020 às 10:11
Milhares de refugiados dirigiram-se para a fronteira após decisão do governo de Ancara
Milhares de refugiados dirigiram-se para a fronteira após decisão do governo de Ancara FOTO: Lusa
Quatro anos depois, a Europa está perante a ameaça de uma nova crise migratória, depois de a Turquia ter decidido reabrir as suas fronteiras ao trânsito de refugiados para a UE. A decisão de Ancara foi tomada após a morte de 33 militares turcos no noroeste da Síria e visa pressionar a UE e a NATO a apoiarem a Turquia na sua ofensiva na região.

Assim que foi conhecida a decisão de Ancara, centenas de migrantes concentraram-se junto às fronteiras da Turquia com a Grécia e a Bulgária, e muitos milhares de outros estavam esta sexta-feira a caminho. Num dos postos fronteiriços gregos, a polícia foi obrigada a usar gás lacrimogéneo para manter afastados os refugiados, incluindo famílias com crianças. O PM grego, Kyriakos Mitsotakis, garantiu que o país "não vai permitir a entrada ilegal de imigrantes" e o governo da Bulgária mobilizou mais de mil polícias e militares para vigiar a fronteira.

A UE, que já pagou mais de três mil milhões de euros à Turquia desde 2016 para travar o fluxo de refugiados e migrantes para a Europa, disse não ter sido oficialmente notificada de qualquer alteração no acordo firmado com Ancara, e avisou a Turquia que esperava que o mesmo continuasse a ser cumprido.

De acordo com vários analistas, a reabertura das fronteiras visa forçar os aliados da UE e da NATO a apoiarem a campanha militar turca no noroeste da Síria, numa altura em que parece cada vez mais difícil de evitar um confronto direto entre a Turquia e a Rússia, que apoia o regime de Assad.

O ataque de quarta-feira à noite que causou a morte de 33 militares turcos terá sido levado a cabo pela aviação russa. A Turquia respondeu com ataques devastadores contra as forças governamentais sírias, destruindo dezenas de veículos blindados e peças de artilharia, numa escalada de consequências imprevisíveis.

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