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Correio da Manhã

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Turquia acusa Papa de "fazer cruzadas"

Turcos irados após Francisco referir 'genocídio' de arménios.
Isabel Faria 27 de Junho de 2016 às 08:31
Declarações do papa durante a visita à Arménia irritaram a Turquia
Declarações do papa durante a visita à Arménia irritaram a Turquia FOTO: Reuters
O Vaticano afirmou ontem que o papa Francisco "não faz cruzadas" nem falou contra a Turquia "num espírito de cruzada", respondendo assim ao governo de Ancara, que acusou o líder da Igreja Católica após este ter usado a palavra ‘genocídio’ para referir o massacre de 1,5 milhões de arménios levado a cabo pelo Império Otomano no início do século XX.

A polémica estalou na sexta-feira, no início da visita do papa à Arménia, quando Francisco condenou o ‘genocídio’ de 1,5 milhões de arménios na I Guerra Mundial. Esta foi a segunda vez que o papa pronunciou a palavra considerada inaceitável pela Turquia, depois de já o ter feito em abril de 2015.

O vice-primeiro-ministro turco, Nurettin Canlikli, reagiu duramente e acusou Francisco de usar uma declaração "muito infeliz", onde "é possível ver todas as marcas e as reflexões características da mentalidade das cruzadas".

Em resposta, o porta-voz da Santa Sé, o padre Federico Lombardi, frisou que "nada evoca um espírito de cruzada" nas palavras do papa e que a vontade do sumo pontífice é "de construir pontes em vez de muros, construir as bases para a paz e a reconciliação".

Os arménios querem que os massacres de 1915-16 sejam reconhecidos internacionalmente como genocídio, termo que a Turquia rejeita.
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