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Últimos candidatos apoiados por Bolsonaro caminham para derrota na segunda volta das autárquicas no Brasil

Marcelo Crivella, no Rio de Janeiro, e Capitão Wagner, em Fortaleza, em baixo nas sondagens.
Domingos Grilo Serrinha e correspondente no Brasil 29 de Novembro de 2020 às 15:48
Bolsonaro
Bolsonaro FOTO: Reuters

Os dois últimos candidatos do presidente Jair Bolsonaro ao cargo de autarca de uma grande cidade brasileira, Marcelo Crivella, no Rio de Janeiro, e Capitão Wagner, em Fortaleza, capital do estado do Ceará, caminham para a derrota na segunda volta das eleições autárquicas, que está a decorrer desde as sete horas deste domingo, hora local, dez horas em Lisboa. No caso do Rio de Janeiro, mesmo a cidade sendo historicamente o principal reduto eleitoral da família Bolsonaro, pode dizer-se que a derrota será fragorosa, a ter em conta as estimativas dos principais institutos de sondagem.

No Rio, segunda maior cidade do país, tanto o Datafolha quanto o Ibope, os dois maiores e mais respeitados institutos de opinião pública do Brasil, são unânimes em prever uma vitória por larga margem do candidato da oposição de centro-direita a Bolsonaro, Eduardo Paes. Paes, que já governou a outrora chamada "Cidade Maravilhosa" por duas vezes, surge em ambos os levantamentos com 68% dos votos válidos, ou seja, excluídos os brancos e nulos, contra 32% de Crivella, apesar do forte apoio dos Bolsonaro, principalmente de Jair Bolsonaro, e do apoio da IURD, Igreja Universal do Reino de Deus, de que o candidato é bispo e cujo líder máximo, Edir Macedo, é seu tio.

Em Fortaleza, a situação do candidato de Jair Bolsonaro, Capitão Wagner, é melhor, mas, mesmo assim, difícil. As sondagens indicam que o eleito será José Sarto, da oposição de esquerda a Bolsonaro, com 61% dos votos válidos, contra 39% de Wagner, a quem nem o apoio do presidente conseguiu fazer chegar à liderança.

Na maior cidade do Brasil, São Paulo, o candidato apoiado (e muito) por Jair Bolsonaro, o repórter Celso Russomanno, igualmente ligado à IURD, nem conseguiu passar para a segunda volta.. Não obstante a aposta de Bolsonaro nele, Russomanno, que no início da campanha liderava as sondagens com folga, foi caindo, caindo, e ficou num modesto quarto lugar.

A segunda volta deste domingo na mais importante cidade do Brasil ficou então entre o atual autarca e candidato à reeleição, Bruno Covas, oposição de centro-esquerda, que surge nas sondagens com 55%, e o jovem Guilherme Boulos. Boulos,  de esquerda, que começou com apenas 4%, surpreendeu a todos chegando este domingo ao final da disputa exibindo 45% e, apesar de parecer difícil, com probabilidades de surpreender ainda mais e ser eleito.

Na somatória das duas voltas das autárquicas brasileiras, a confirmarem-se as previsões para este domingo, Jair Bolsonaro sofreu uma derrota significativa, e de norte a sul do país. Dos 13 candidatos a autarca que apoiou, apenas dois foram eleitos na primeira volta, e em cidades menores, e dos 78 candidatos a vereador que tiveram o seu apoio, boa parte deles usando o nome do presidente junto ao deles, por exemplo, "Fulano de tal Bolsonaro", somente um foi eleito.

As eleições deste domingo são, claro, locais e contam, além de tudo o mais, com fatores regionais e preferências pessoais dos eleitores. Mas os resultados das duas voltas deitaram por terra o projeto de Jair Bolsonaro de fazer eleger um grande número de gestores locais por todo o Brasil, para alavancarem a sua candidatura às presidenciais de 2022, nas quais já ha muito deixou claro que vai tentar a reeleição.
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