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Saiba quem é Carlo, o médico acusado de matar doentes Covid para libertar camas de hospital

Clínico de 47 anos, era diretor das Urgências. Investigação chegou aos crimes após exumação dos corpos de vítimas.
Correio da Manhã 26 de Janeiro de 2021 às 16:19
O Médico Carlo Mosca
O Médico Carlo Mosca
O Médico Carlo Mosca
O Médico Carlo Mosca
O Médico Carlo Mosca
O Médico Carlo Mosca

O caso está a fazer correr muita tinta em todo o mundo e a chocar a opinião pública: Carlo Mosca, um médico italiano de 47 anos, a exercer no hospital de Montiarchi, na Lombardia, Itália, foi detido e está acusado do homicídio qualificado de pelo menos dois pacientes, doentes com covid-19, que o clínico terá assassinado para, segundo a acusação, "libertar as camas do hospital".

Carlo Mosca dirigia as Urgências do hospital teste setembro de 2018. Natural de Cremona, reside na zona de Mantua e encontra-se neste momento em prisão domiciliária a aguardar para ser presente a juiz.

Segundo a investigação permitiu apurar, o médico terá administrado propositadamente duas drogas anestésicas (Succinylcholine e Propofol), consciente de que causariam falência pulmonar nos doentes em causa, fragilizados devido à Covid-19, com o objetivo de os matar. As substâncias usadas são normalmente administradas em pacientes que vão ser entubados ou sujeitos a determinado procedimento cirúrgicos mas, segundo os relatórios médicos, nenhuma das alegadas vítimas do Dr. Mosca foi submetida a qualquer cirurgia ou procedimento.

A investigação ao médico só arrancou após uma denúncia anónima chegada ao ministério Público italiano, no final de abril de 2020.

As vítimas Natale Bassi, de 61 anos e Angelo Paletti, de 80 anos, morreram em meados de março às mãos do clínico. O hospital já estava na mira das autoridades de saúde. Numa altura em que os hospitais italianos estavam entupidos devido ao enorme número de doentes Covid, o hospital de Montiarchi registava maior número de mortes nas urgências; foi detetado como "anormal" o facto de as mortes ocorrerem pouco depois dos pacientes darem entrada e foram investigados cinco casos. Entre os meses de janeiro e março de 2020 foi também detetado um aumento nas encomendas de uma das substâncias suspeitas de terem sido usadas pelo médico.

As autoridades conduziram três exumações e nos corpos de dois homens encontraram os vestígios dos anestésicos que, administrados sem objetivo justificável, causariam a rápida falência do aparelho respiratório e a morte.

Nos relatórios médicos não consta a administração de qualquer uma das drogas encontradas e, por isso, o médico é também suspeito de falsificar os registos hospitalares.

Entre as provas que sustentam a acusação, estão várias mensagens trocadas entre enfermeiros da unidade gerida por Carlo Mosca, que o definem como "um louco" e denunciam não querer levar a cabo a ordens dadas pelo médico. "O doente vai ser intubado? Não. E ele manda-me dar-lhe anestésicos. É tudo uma loucura. Eu não vou matar doentes para libertar camas!", lê-se num desabafo entre duas enfermeiras do hospital.

Loco após a detenção o médico foi imediatamente suspeito de funções no hospital e foi aberto inquérito interno na unidade. O Dr. Carlo Mosca nega todas as acusações.
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