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Correio da Manhã

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União Europeia adia ratificação de acordo comercial com o Reino Unido

Bruxelas acusa Londres de violar lei internacional ao decidir prolongar até outubro o período durante o qual não serão aplicadas tarifas aduaneiras na Irlanda do Norte.
Francisco J. Gonçalves 5 de Março de 2021 às 08:13
Reino Unido decidiu de forma unilateral manter a isenção de controlos aduaneiros na fronteira entre as duas Irlandas
Reino Unido decidiu de forma unilateral manter a isenção de controlos aduaneiros na fronteira entre as duas Irlandas FOTO: Clodagh Kilcoyne/Reuters

Ainda as discórdias do Brexit não acalmaram e o Reino Unido e a União Europeia (UE) estão já envolvidos num novo braço de ferro. A UE acusa o governo de Boris Johnson de violar a lei internacional relativamente à Irlanda do Norte e ameaça não ratificar o acordo comercial e de segurança assinado após o Brexit.

A ratificação deveria ser votada no Parlamento Europeu no próximo dia 25 mas foi esta quinta-feira decidido deixá-la em suspenso. Poderá ter lugar no final de abril, mas tudo depende dos desenvolvimentos da nova querela com Londres.

A causa da discórdia é o facto de o governo britânico ter na quarta-feira decidido, de forma unilateral, prolongar até outubro o ‘período de graça’, que deveria terminar no final de março, durante o qual não são aplicadas taxas aduaneiras na fronteira com a Irlanda do Norte, região que, à luz do acordo com a UE, continua a ser parte do mercado único europeu.

A decisão foi criticada em Bruxelas e também na República da Irlanda. Simon Coveney, MNE irlandês, frisou que chegou na pior altura, pois estavam agora a ser feitos progressos na questão da fronteira na Irlanda do Norte, principal pomo de discórdia durante os três longos anos de negociação do Brexit. A Irlanda alerta que questões como esta podem ter impacto negativo na paz que se deseja perpetuar na Irlanda do Norte.

Lealistas renegam acordo de paz irlandês
Os grupos paramilitares lealistas, favoráveis à continuidade da Irlanda do Norte no Reino Unido, anunciaram esta quinta-feira que retiraram o seu apoio ao acordo de Sexta-Feira Santa, que pôs fim ao conflito irlandês. Em carta a Boris Johnson e ao PM irlandês, Micheál Martin, alertam para a "destruição permanente" do acordo de 1998 se não for alterada a alínea do Brexit que mantém a Irlanda do Norte no mercado único. O aviso surge depois de a UE condenar Londres por adiar as tarifas aduaneiras na Irlanda do Norte.

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