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Universidade Johns Hopkins deixa de contabilizar e informar número de mortos e infetados por coronavírus no Brasil

Decisão foi provocada por mudanças decretadas pelo presidente brasileiro, Jair Bolsonaro.
Domingos Grilo Serrinha e correspondente no Brasil 7 de Junho de 2020 às 17:40
Coronavírus no Brasil
Coronavírus Brasil
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A conceituada Universidade Johns Hopkins, de Baltimore, nos Estados Unidos, referência mundial no acompanhamento da pandemia de coronavírus em todos os países afetados pela doença, deixou este sábado de contabilizar e informar o total de infetados e de mortos pela Covid-19 no Brasil. A decisão foi provocada por mudanças decretadas pelo presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, na forma de divulgação dos números da pandemia registados no país, onde, segundo o boletim oficial de quinta-feira, o último divulgado com totais, havia 35.021 mortes por Covid-19, deixando o Brasil em terceiro lugar no mundo, só atrás de EUA e de Reino Unido.

Num novo desdobramento da guerra pessoal que trava com a TV Globo, que considera o seu pior inimigo entre todos os meios de Comunicação Social e que já ameaçou repetidamente extinguir quando, em 2022, terminar a concessão pública que permite à emissora manter-se no ar, Bolsonaro mandou no meio da semana mudar o horário de divulgação dos números do coronavírus, das 19 horas para as 22 horas, para impedir que eles fossem usados no principal telejornal daquela televisão e do Brasil, o Jornal Nacional, exibido às 20 e 30. A Globo não se deu por vencida e, quando os números eram divulgados, fazia uma edição especial do JN só para os divulgar, o que irritou ainda mais o presidente.

Depois disso, o site do Ministério da Saúde onde até agora eram divulgados todos os dados referentes à pandemia de coronavírus, com bastantes detalhes, foi tirado do ar na sexta-feira e, quando voltou, sábado à tarde, trazia apenas os números de infetados e mortos das últimas 24 horas, mesmo assim menor do que o divulgado pelas secretarias regionais de saúde dos 27 estados brasileiros, e sem informar os totais ou a regionalização dos casos. Por isso, sem a totalização feita pelo Ministério da Saúde, o único órgão oficial brasileiro em que se baseava, e com dúvidas quanto aos números informados, a Johns Hopkins optou por parar de contabilizar e divulgar os dados sobre o Brasil.

Além de ser mais uma batalha na guerra que trava contra a Globo, Jair Bolsonaro também quer mudar a forma de contagem do número de infetados e de mortos pela Covid-19 e mandou recontar todos os casos antigos, desde o primeiro, confirmado oficialmente em São Paulo em 26 de Fevereiro passado. O presidente brasileiro, que sempre negou a gravidade da pandemia e é fortemente contra as medidas restritivas adotadas por governadores e autarcas em todo o país, avalia que as secretarias regionais de saúde têm adulterado e aumentado propositadamente o número de infetados e de mortes pelo coronavírus, tanto, na opinião de assessores presidenciais, para receberem mais verbas do governo central, quanto, na visão de Bolsonaro, para atingirem o seu governo espalhando o pânico entre a população e tentar derrubá-lo do cargo.
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