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Vacina russa contra Covid-19 causa "muitos efeitos secundários adversos" e só foi testada em 38 pessoas

Novos documentos agora revelados mostram falhas nos testes e que o fármaco perde eficácia rapidamente.
Pedro Zagacho Gonçalves 12 de Agosto de 2020 às 15:26
Vacina Covid-19 Rússia 6
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Vacina Covid-19 Rússia
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Vacina Covid-19 Rússia 4
Vacina Covid-19 Rússia

Depois da notícia que veio trazer esperança a todo o mundo, de que a Rússia aprovou a primeira vacina contra a pandemia da Covid-19 - olhada com alguma desconfiança pela comunidade científica devido à aprovação antes de concluída a última fase dos ensaios clínicos - , novos documentos revelados pela agência russa Fontanka vêm mostrar algumas ‘lacunas’ nos testes feitos e apontam vários problemas e efeitos secundários adversos graves do fármaco, ao qual Vladimir Putin chamou Sputnik V (nome comercial da vacina).

O relatório agora divulgado, ao qual o Daily Mail teve acesso, reforça que a eficácia da vacina é "desconhecida", apesar do presidente da Rússia ter garantido os seus efeitos. Os documentos referem que a vacina foi registada ao fim de apenas 42 dias de testes e que Putin afirmou que o fármaco "passou todos os testes médicos", apesar de um dos documentos submetidos no registo da Sputnik V referir que "não há estudos clínicos que provem a eficácia epidemiológica da vacina".

Logo após o anúncio, a OMS deixou um aviso de cautela e multiplicaram-se os avisos de precaução de cientistas e especialistas de todo o mundo, que apontaram problemas à vacina russa por esta não ter concluído a chamada Fase 3 dos testes clínicos em humanos (aplicação do fármaco em grande número de voluntários). Os documentos agora revelados dizem que a vacina, cujo nome laboratorial é ‘Gam-Covid-Vac’ foi testada em apenas 38 voluntários saudáveis.

Os documentos a que a agência de notícias teve acesso mostram ainda que os especialistas envolvidos denotam uma longa lista de efeitos secundários que ocorrem "frequentemente e muito frequentemente". O próprio Instituto Gamaleya, responsável pela vacina, assume, segundo os documentos revelados que "Não é possível determinar com precisão a incidência de efeitos secundários adversos devido ao número limitado de participantes no estudo".

Nas 38 pessoas testadas, registaram-se 144 ocorrências de efeitos secundários. Entre os efeitos secundários registados, mas não comunicados, estão inchaço, dor, hipertermia (grande aumento da temperatura corporal), astenia (falta de força), fraqueza, mal-estar geral, febre, perda de apetite, dores de cabeça, diarreia, dores na cavidade oro faríngea, nariz entupido, dores de garganta e corrimento nasal.

A maioria, segundo os relatórios revelados, "passaram sem consequências" ao fim de alguns dias, no entanto ao fim de 42 dias ainda havia voluntários com 31 ocorrências de efeitos secundários adversos. O relatório admite que a duração e incidência de 27 ocorrências identificadas ficaram "desconhecidas". 

Vacina sem eficácia ao fim de 42 dias
Os documentos revelados mostram ainda que, segundo os testes feitos à vacina russa, no fim dos 42 dias dos ensaios, os voluntários tinham uma média de marcadores de anticorpos do novo coronavírus de 49.3, o que, segundo o relatório, "não chega a valores aceitáveis", e mostra que a Sputnik V perdeu a sua eficácia ao longo do tempo que passou.

Segundo a Fontanka, o relatório dos estudos clínicos estabelece que a vacina "não é permitida em menores de 18 anos e maiores de 60", devido à falta de investigação dos seus impactos em crianças e idosos, assim como não é recomendada a grávidas e lactantes.

O mesmo documento avisa ainda que a vacina deve ser aplicada "com precaução" em pessoas com doenças crónicas no fígado e rins, diabetes, epilepsia, doentes com historial de epilepsia, enfartes ou doenças do sistema cardiovascular, imunodeficiência, doenças autoimunes, reações alérgicas, pele atópica e eczema.

Noutro aviso lê-se "Não há antídoto para este fármaco. O risco de sobre-dosagem é extremamente baixo, mas em caso acidental, reações tóxicas e alérgicas podem ocorrer".

O diretor do Instituto Gamaleya, Alexander Gintsburg, relatou à Interfax que "quando terminar a fase de pós-registo, que agora começou, o instituto pode legalmente submeter pedidos para testes da vacina em crianças. Já segundo os especialistas consultados pela Fontanka, a documentação que o Gamaleya apresentou para registar e aprovar a vacina "não correspondem nem são tão encorajadores quanto as declarações do presidente Putin e do ministro da Saúde, Mikahil Murashko".

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