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Vacinação "não é uma competição ou um concurso de beleza entre países", afirma Durão Barroso

Presidente da Aliança Global para as Vacinas sublinha que luta deve ser entre vacinas de um lado e vírus do outro.
Lusa 3 de Março de 2021 às 09:51
Vacinação da Covid-19 em Israel tem sido um êxito
Vacinação da Covid-19 em Israel tem sido um êxito FOTO: Reuters
O presidente da Aliança Global para as Vacinas (GAVI), Durão Barroso, defende que o processo de vacinação mundial contra a covid-19 não deve ser "uma competição ou um concurso de beleza entre países".

"A luta não deve ser entre países ou instituições ou empresas, mas sim entre as vacinas, de um lado, e o vírus, de outro", diz o atual presidente da Aliança Global para as Vacinas (GAVI) numa entrevista por escrito à agência Lusa.

"Isto não é uma competição ou um concurso de beleza entre países, o que está em causa é a própria vida das pessoas", diz Durão Barroso.

Para o ex-presidente da Comissão Europeia, as diferenças que se verificam nos processos de vacinação têm mais a ver com "opções específicas" devidas a "situações particulares".

Afirmando, todavia, não querer entrar em polémicas, Durão Barroso destaca que "a verdade é que, ao longo deste processo, vimos países considerados exemplares na gestão da pandemia passarem do 'céu' para o 'inferno' e inversamente..."

"A propósito da situação na União Europeia, o presidente da GAVI reconhece que "não há soluções perfeitas", mas considera que "a cooperação entre os países europeus neste domínio é seguramente melhor que a alternativa [que seria a] de competir por suprimentos escassos", o que "teria sido um péssimo resultado para os europeus".

Se "os diferentes países estivessem a competir e a ultrapassar os outros com ofertas de preços mais elevados" e alguns pudessem ter acesso a mais vacinas do que outros, "alguns nem teriam ainda conseguido aceder às vacinas", o que seria "extremamente desestabilizador para a Europa e até para a cooperação global", considera.

É neste contexto que o presidente da GAVI sublinha que o importante "é trabalhar em conjunto, em vez de tentar "buscar a imunidade 'nacional' ou 'regional'".

"Aquilo que é evidente quando vemos a forma como o vírus está a sofrer mutações é que não estaremos seguros em lado nenhum até estarmos seguros em todo o lado, imunizar apenas parte da população nunca derrotará o vírus e aumentará a probabilidade de sua mutação e proliferação", considera Durão Barroso.

Segundo o ex-presidente da Comissão Europeia, enquanto não se controlar a pandemia, não será possível voltar a um nível de atividade económica e social mais ou menos normal.

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