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Washington acusa Pequim de procurar reforçar ambições no mar do Sul da China

Pompeo emitiu estas acusações durante uma videoconferência com os ministros dos Negócios Estrangeiros dos dez Estados-membros.
Lusa 23 de Abril de 2020 às 17:49
Mike Pompeo
Mike Pompeo, secretário de Estado dos EUA,
Mike Pompeo
Mike Pompeo, secretário de Estado dos EUA,
Mike Pompeo
Mike Pompeo, secretário de Estado dos EUA,
O secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, considerou esta quinta-feira que a China está a beneficiar da crise mundial motivada pelo novo coronavírus para reforçar as ambições territoriais no mar do Sul da China.

Pompeo emitiu estas acusações durante uma videoconferência com os ministros dos Negócios Estrangeiros dos dez Estados-membros da associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN).

As ambições territoriais de Pequim no mar do Sul da China colidem com as reivindicações do Vietname, Brunei, Malásia, Filipinas e Indonésias, membros do ASEAN, e são contestadas por Washington, que mantém uma ativa presença naval no Pacífico.

"Pequim tirou vantagem da atual preocupação, emitiu um novo anúncio unilateral sobre distritos administrativos nas ilhas e áreas marítimas em disputa no mar do Sul da China, afundou um pesqueiro vietnamita no início deste mês e atua nas suas 'estações de pesquisa' no Recife Cross e no Recife Subi", disse Pompeo.

O chefe da diplomacia de Washingtn acusou ainda a China de deslocar navios de guerra para dissuadir os restantes países da área de promoverem projetos de petróleo e gás 'offshore'.

A maioria dos restantes participantes optou por centrar as suas declarações nos problemas de saúde, económicos e sociais motivados pela pandemia de covid-19, referiu a agência noticiosa Associated Press (AP).

"Os ministros dos Negócios Estrangeiros referiram-se à situação da covid-19 nos seus respetivos países, e trocaram informações sobre as melhores práticas para abordar o surto através de uma perspética de saúde pública", referiu o responsável de Singapura.

"Assinalaram o grave impacto socioeconómico da covid-19 e enfatizaram a necessidade de a ASEAN e os EUA trabalharem de forma estreita numa abordagem de longo prazo dirigida para a recuperação económica pós-pandemia", acrescentou.

Pompeo agradeceu ao Vietname, Malásia e Camboja pela sua ajuda no combate o surto e recordou a assistência financeira dos EUA à região.

"Até ao momento, os Estados Unidos forneceram mais de 35,3 milhões de dólares (32,5 milhões de euros) num fundo de emergência sanitária para ajudar os países da ASEAN a combater o vírus, no âmbito dos 3,5 mil milhões de dólares (3,2 mil milhões de euros) em assistência de saúde pública fornecida à ASEAN nos últimos 20 anos", indicou, anunciando ainda um novo projeto para promover a segurança sanitária na ASEAN através da investigação, saúde pública e treino.

Pompeo também pediu à China para encerrar os seus mercados onde são vendidos animais selvagens.

Diversas investigações asseguram que o novo coronavírus teve origem num destes mercados em Wuhan, centro da China, apesar de a responsabilidade pelo surto da pandemia permanecer um tema que suscita um duro debate entre Pequim e Washington.

Pompeo sublinhou ainda a preocupação dos EUA por um recente relatório científico "demonstrando que as barragens construídas por Pequim a montante do [rio] Mekong alteraram de forma unilateral o seu fluxo", pondo em risco a vida de "dezenas de milhões de pessoas" que habitam a jusante no Laos, Tailândia, Camboja e Vietname.

A nível global, segundo um balanço da AFP, a pandemia de covid-19 já provocou perto de 184 mil mortos e infetou mais de 2,6 milhões de pessoas em 193 países e territórios.

Cerca de 700 mil doentes foram considerados curados.

Os Estados Unidos são o país com mais mortos (46.785) e mais casos de infeção confirmados (mais de 842 mil).

Por regiões, a Europa soma mais de 114 mortos (mais de 1,2 milhões de casos), Estados Unidos e Canadá quase 49 mil mortos (mais de 882 mil casos), Ásia quase 7.500 mortos (mais de 182 mil casos), América Latina e Caribe mais de 6.100 mortos (mais de 122 mil casos), Médio Oriente perto de seis mil mortos (mais de 138 mil casos), África mais de 1.200 mortos (mais de 25 mil casos) e Oceânia 97 mortos (cerca de oito mil casos).

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