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Correio da Manhã

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Washington blindada: Joe Biden toma posse como presidente dos EUA em cenário de guerra

Mais de 25 mil efetivos da Guarda Nacional reforçam segurança de um evento em contraste com a habitual transmissão de poder pacífica e ordenada.
Francisco J. Gonçalves 20 de Janeiro de 2021 às 01:30
Zona junto ao Capitólio encontra-se blindada por milhares de militares da Guarda Nacional e faz lembrar cenário de guerra
Trump parte de Washington de manhã para evitar posse de Biden
Zona junto ao Capitólio encontra-se blindada por milhares de militares da Guarda Nacional e faz lembrar cenário de guerra
Trump parte de Washington de manhã para evitar posse de Biden
Zona junto ao Capitólio encontra-se blindada por milhares de militares da Guarda Nacional e faz lembrar cenário de guerra
Trump parte de Washington de manhã para evitar posse de Biden
O novo presidente dos EUA, Joe Biden, toma esta quarta-feira posse numa cerimónia em que o clima de festa foi substituído pelo medo e o público por forças militares. Mais de 25 mil guardas nacionais, soldados, polícias e agentes dos serviços secretos garantem a segurança de um evento realizado habitualmente perante dezenas de milhares de pessoas.

O perímetro de segurança alarga-se por vários km em redor do Capitólio, com ruas barradas ao trânsito e estações de metro e pontes encerradas. Para evitar um ataque interno, foram analisados os antecedentes de todos os efetivos do aparato de segurança, o que levou à exclusão de uma dezena de militares da Guarda Nacional por ligação a grupos extremistas.

Depois de a Covid forçar o cancelamento dos bailes paralelos à cerimónia, o National Mall, diante do Capitólio, onde chegou a concentrar-se um milhão de pessoas, estará despido de público, sendo o seu lugar ocupado por arame farpado e vedações. Estas medidas sem precedentes foram tomadas após ameaças de grupos envolvidos no assalto dos apoiantes de Donald Trump ao Capitólio.

A cerimónia de hoje fica também marcada pela ausência do presidente cessante. Trump será o primeiro a faltar à tomada de posse do sucessor em mais de 150 anos. O último, de apenas três que o fizeram, foi Andrew Johnson, em 1869. Trump persiste em dizer que venceu as eleições e por isso, além de boicotar a tomada de posse e deixar Washington no dia da festa, recusou receber Biden na Casa Branca, como dita a tradição.

As derradeiros horas no poder ocupou-as Trump a elaborar uma lista de perdões que só seria divulgada no fim do dia e, dizia-se, não deveria incluir o advogado pessoal e aliado Rudy Giuliani nem o seu antigo conselheiro Steve Bannon.

pormenores
Biden quer restrições
O novo presidente dos EUA planeia reimpor as restrições de entrada no país, por causa da Covid, a passageiros do Brasil e da maior parte da Europa, anuladas por Trump na segunda-feira. “Com a pandemia a piorar e as novas estirpes do vírus, não é altura de levantar restrições de viagem”, afirmou a porta-voz de Joe Biden.

Hillary acusa Trump e Putin
A antiga secretária de Estado dos EUA Hillary Clinton insinuou que, no dia do assalto ao Capitólio, Trump poderá ter falado ao telefone com o presidente russo, Vladimir Putin. “Gostaria de ver os registos telefónicos dele, para saber se falou com Putin”, afirmou Hillary.

Anular medidas de Trump logo no primeiro dia
O presidente, Joe Biden, não vai perder tempo e vai assinar várias ordens executivas no primeiro dia de mandato para anular decisões de Trump. O combate à Covid-19 é prioritário, pelo que vai tornar obrigatório o uso de máscaras em edifícios públicos e em viagens entre estados. Vai também reintegrar os EUA nos Acordos de Paris para o clima e anular as restrições de entrada no país a pessoas de uma dezena de países muçulmanos. Outra prioridade é reformar as leis de imigração.

Pence e outros líderes republicanos faltam à cerimónia de despedida de Trump
Além de faltar à tomada de posse do sucessor, Donald Trump planeou ofuscar a cerimónia com uma festa de despedida pomposa na base militar Andrews, para a qual convidou celebridades e líderes republicanos. Contudo, muitos vão ignorar o convite, casos do vice-presidente cessante, Mike Pence, e também de Mitch McConnell e Kevin McCarthy, líderes republicanos no Senado e na Câmara dos Representantes, respetivamente.
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