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Alexandre Pais

Agentes inimigos

Os atores devem ser escolhidos para os papéis e não o contrário.

Alexandre Pais 10 de Outubro de 2020 às 00:30
Em Hollywood, não faltam estrelas desempregadas. E não, não se trata de mais um drama nascido da pandemia, mas de um velho problema. A indústria do cinema leva muito a sério a lógica do negócio e, apesar de alguma cedência ao peso dos nomes no cartaz e aos caprichos de quem paga o filme, o ‘casting’, que escolhe os atores com o perfil certo para os papéis, é para ser respeitado.

Por cá, os estúdios das novelas cedo foram tomados por uma espécie de ‘padrinho’ que formaram os seus grupos de gente amiga, com os quais subvertem o princípio da seleção pelo mérito: são os papéis que têm de ‘encaixar’ nos atores - naqueles atores e dê por onde der.

Com Cristina ou sem ela, a TVI lá vai logrando vencer aqui ou ali a SIC. Nas novelas do prime time é que nada feito. Tanto ‘Nazaré’ como ‘Terra Brava’ conseguem um share muito superior a ‘Amar Demais’ por vários motivos, mas em particular por um: os seus intérpretes são, de um modo geral, melhores e mais adequados às personagens.

A TVI ou se liberta do colete de forças dos sempre os mesmos nas novelas - e dá primazia ao talento e à competência - ou nunca liderará sustentadamente as audiências. Cada cabotino instalado no estúdio é um agente do inimigo.
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