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Alfredo Leite

Cerco à ilha

Al-Jazeera dá voz a israelitas e tem pivôs sem véu e isso assusta árabes.

Alfredo Leite(alfredoleite@cmjornal.pt) 24 de Junho de 2017 às 00:30
Os países do golfo estão a intensificar a guerra diplomática contra o Qatar e a principal arma é uma estação de televisão. A Arábia Saudita, monarquia totalitária, violadora de direitos humanos e desrespeitadora da liberdade de imprensa, quer fechar a Al-Jazeera (a ilha, em árabe).

Riade não está só na tentativa de silenciar o mais livre dos meios de comunicação árabes. Emirados Árabes Unidos, Egito e Bahrein são aliados dos sauditas para ver se é desta que conseguem calar um meio que os aterroriza desde que nasceu.

Afinal, para quem despreza a democracia, a Al-Jazeera é de facto um perigo: fala sem filtro para 50 milhões de pessoas no Médio Oriente, emite também em inglês com estrelas internacionais formadas pela BBC e não hesita em dar voz a israelitas ou apresentar pivôs sem véu islâmico. E como o auditório gosta, o estilo contagiou a maioria das TV da região e isso ainda assustou mais.

Para os que pretendem isolar o Qatar – e minar a amizade do pequeno país com o Irão – só há uma forma de silenciar a mensagem: acabe-se com o mensageiro. E assim o obscurantismo em que se movimenta uma parte daquela região do Mundo continuará na penumbra sem qualquer escrutínio.
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