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Alfredo Leite

Minimal e repetitivo

Discurso violento de Marcelo não uniu o que Ferro dividiu.

Alfredo Leite(alfredoleite@cmjornal.pt) 26 de Abril de 2020 às 00:33
A celebração do 25 de Abril ficou marcada por dois vetores. Ao dedicar metade do tempo a discutir os termos da realização da cerimónia, focou-se a atenção mais numa polémica agora estéril e menos no futuro. Seria inevitável dadas as opções titubeantes com que o presidente da Assembleia da República avançou – e recuou – no modelo da efeméride e consequente onda de contestação sobretudo fora da esfera partidária.

Em tempo de pandemia, o dia da liberdade no Parlamento foi minimal, mas tão repetitivo como noutros anos. E foi também um momento marcado por um dos discursos mais duros e simultaneamente brilhante em termos retóricos do Presidente da República.

Marcelo gastou muito da intervenção a falar da celebração da data e foi violento ao classificar a sua hipotética não realização: "Absurdo", "vergonhoso" e "incompreensível".

Numa intervenção carregada de alfinetadas da esquerda à direita, a violência discursiva do Presidente não foi, contudo, suficiente para unir o que Ferro Rodrigues dividiu. Mesmo que, no final, todos tenham aplaudido o apelo feito "ao essencial" que é "vencer as crises que temos que vencer".
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