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Almeida Henriques

Bola de cristal

Hoje, as cidades médias oferecem-se como opções atrativas em termos turísticos.

Almeida Henriques 24 de Maio de 2016 às 00:30
Lança-se hoje o debate sobre a estratégia de desenvolvimento turístico nacional até 2027. O leitor não percebeu mal: disse, de facto, 2027! Num mundo (e num país) em que meteorologistas e economistas perderam a bola de cristal, estes exercícios podem parecer puramente fantasiosos e lúdicos. E em parte são-no. Já dizia alguém que "o inferno está cheio de planos estratégicos"! Todavia, eles têm a enorme vantagem de estabelecerem uma visão e um conjunto de prioridades.

Prioridades que podem (e devem) orientar, por exemplo, os investimentos públicos, a aplicação de fundos comunitários e a intervenção do Estado ou de quem o represente. E no turismo têm especiais responsabilidades o Governo e as entidades nacionais e regionais do setor, que não podem ignorar a urgência de novas apostas, destinos e estratégias de promoção.

O Algarve dos anos 90 é uma lição de palmatória e Lisboa e Porto correm hoje o risco de se tornarem destinos inviáveis. Hoje, as cidades médias, o Interior e os territórios de baixa densidade, as rotas patrimoniais e enoturísticas, entre outras, oferecem-se como opções atrativas e de excelência, mas têm feito o seu caminho de afirmação quase sozinhos. Viseu é apenas um exemplo, entre vários.

Apesar da evolução positiva dos últimos dois anos (é o segundo destino da Região Centro com maior crescimento em 2016), o seu potencial está por realizar. A taxa de ocupação hoteleira é ainda inferior à média nacional, tal como a riqueza e o emprego criados. Lamentavelmente, este filme espelha a realidade de bem mais de metade do País.

Definir uma boa estratégia para futuro é tão indispensável como ter uma bússola no deserto. O setor justifica e o "país real" merece. O que está em causa para a economia, o emprego e as exportações é demasiado sério para continuarmos a ser perdulários e de vistas curtas. Será preciso uma bola de cristal?
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