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Almeida Henriques

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O modo como BE e PC geriram inverdades de Centeno revela o que é uma política de conveniência.

Almeida Henriques 21 de Fevereiro de 2017 às 00:30
Sendo um opositor da solução, reconheço que a "Geringonça" tem vantagens. Uma delas, bem virtuosa, é a de provocar a queda da máscara moral que os extremismos da Esquerda tanto gostam de afivelar. O modo como Partido Comunista e Bloco de Esquerda geriram as inverdades de Mário Centeno no caso das SMS (e as prováveis garantias abusivas ao presidente da Caixa) é bem revelador do que é uma política de conveniência.

Chega para estudo de caso numa aula de ciência política. A conveniência subordina a verdade e a dignidade das funções de Estado aos interesses da pura manutenção do poder. Depois de toda a polémica, de toda a trapalhada pouco edificante, o que ficou é isto, e é triste: a indigna condição de um ministro foi justificada para salvar uma insustentável encenação.

Segundo episódio. Como convém às lógicas de gestão do poder, o Bloco correu a lançar-se em alarmantes críticas ao Governo. So convenient… Não fôssemos perceber que o negócio da "Geringonça" se faz ao preço da liberdade.

O tema escolhido pela "coordenadora" (o eufemismo é deliciosamente "democrático") foi a descentralização. E o que disse Catarina Martins? Liminarmente, que o projeto do Governo é "perigoso". "Descentralização sem democracia é centralização no presidente da câmara de todos os poderes e isso é que o Bloco não pode permitir". E, prosseguindo o exercício da lógica da batata, soltou o fantasma da "privatização de serviços".

Se tínhamos dúvidas, ficaram desfeitas: o Bloco filia-se numa ideologia tão centralista e retrógrada como o do "comité central" do PC. E vê o Estado como estrutura napoleónica e jacobina, diretiva e piramidal. Catarina esconde assim que há mais poder, dinheiro e opacidade nas direções-gerais da Capital que nos paços de concelho deste país. Se o Governo merece reparo é porque, com promessas vagas e de mãos vazias, preserva este status quo. Triste carnaval.
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