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Almeida Henriques

O dia seguinte

António Costa tem um caminho estreito, pedregoso e difícil de trilhar dentro e, sobretudo, fora do seu partido.

Almeida Henriques 30 de Setembro de 2014 às 00:30

Numa coisa não restam dúvidas: este será um ano interessante de seguir na política nacional! A vitória clarificadora de António Costa no PS põe um ponto final na crise de liderança da Oposição e abre, na contagem decrescente para as legislativas, um espaço novo para confronto político. Entenda-se: um confronto de projetos e protagonistas para o país.

O triunfo de António Costa tem méritos mesmo para quem, como eu, milita noutra latitude: o primeiro e mais importante deles é o de uma liderança construída sob uma base social alargada, extrapartidária e participativa.

As primárias do PS não são apenas uma inovação: são um ato regenerador da ligação da sociedade civil com os partidos e a política. Isto é positivo. Se a democracia quer continuar a ser representativa, ela tem de se reinventar - na sua legitimação social e através da participação dos cidadãos. Os partidos não podem mais ser diretórios do poder: têm de ser espaços ideológicos socialmente relevantes e abertos.

A política tem ironias de fino e severo recorte e as primárias do PS não escondem uma: é a António José Seguro que o PS fica a dever este ato original e António Costa o élan social forte em que funda a sua liderança.

O day after não será fácil: António Costa tem um caminho estreito, pedregoso e difícil para trilhar dentro e, sobretudo, fora do seu partido. É forçoso que o líder da Oposição torne evidente o programa político que tem para o país. Programa que lhe falta. O que ouvimos nos debates das primárias foi muito pouco, para não dizer um vazio de ideias acompanhado de uma superficialidade no tratamento jornalístico. O que sabemos em concreto de António Costa a respeito da gestão da dívida, do défice e do Tratado Orçamental?

Se alguma coisa os portugueses têm sabido distinguir nas urnas é a diferença que separa a credibilidade da notoriedade mediática. Nenhum projeto de governação se constrói na televisão e com discursos redondos. E o país real não passa mais cheques em branco - sobretudo a quem carrega tão pesada e embaraçosa herança governativa do passado, como o PS. É neste espaço e neste contraponto que deve emergir a afirmação social renovada do projeto reformista do PSD.

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