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Almeida Henriques

SOS Europa

Neste quadro, o ‘brexit’ é apenas um sintoma sério de um cancro grave e não tratado.

Almeida Henriques 19 de Julho de 2016 às 00:30
É irresistível falar da Europa nestes dias. Infelizmente, pelos piores motivos. O visionário sonho europeu – de paz, prosperidade e solidariedade – é hoje uma sombra distante. A chama europeia extingue-se aceleradamente. O grande projeto de desenvolvimento do ‘Velho Continente’ está gravemente ferido, e mais por culpas próprias do que por causas alheias. Se é verdade que a Europa (e França, muito especialmente) vive acossada pelo horror inumano e irreparável do terrorismo, não é menos certo que a falta de visão e liderança, os egoísmos nacionais e dos seus "diretórios", a incapacidade de construir uma política externa digna desse nome e a venenosa burocracia de Bruxelas e os seus tentaculares interesses se revelaram pecados mortais da Grande Europa. Neste quadro, o ‘Brexit’ é apenas um sintoma sério de um cancro grave e não tratado, cheio de metástases numa ‘União’ em ruínas. Muito distantes parecem-nos os grandes líderes visionários que inspiraram a construção da Europa. De Monnet e Schumann a Delors, de Mitterrand a Helmut Kohl. Com todos os seus defeitos e erros, foram arquitetos ousados e solidários. A entrevista conjunta que na passada semana os presidentes da Comissão Europeia e do Parlamento Europeu, Juncker e Martin Schulz (alguém os conhece?), concederam a alguns jornais é de uma pobreza e de um vazio confrangedores. No Titanic em que se converteu a União, estas lideranças são a orquestra que, desafinada e desesperadamente, toca durante o naufrágio.

Nota de rodapé: o que atrás se lê não é uma declaração de inimputabilidade do Governo de António Costa. Na União Europeia, como em qualquer sociedade, temos direitos e deveres. No capítulo orçamental, estamos vinculados a compromissos. A responsabilidade de provar na Europa a sustentabilidade da nossa trajetória, com medidas convincentes, cabe inteiramente ao Governo em funções.
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