Barra Cofina

Correio da Manhã

Colunistas
7
Piloto morre em corrida de motos no Estoril

André Ventura

A violência que envergonha Portugal

Os números são reveladores e servem para nos envergonhar enquanto Estado de Direito.

André Ventura 31 de Agosto de 2015 às 00:30
Os números são reveladores e servem para nos envergonhar enquanto Estado de Direito: só nos primeiros oito meses do ano já 22 mulheres foram mortas no âmbito de casos de violência doméstica. Em 2014 já tínhamos vivenciado esse mesmo drama estatístico: 42 mulheres assassinadas por aqueles com quem viviam ou tinham, num passado próximo, partilhando a vida.

De resto, os episódios repetem-se dia após dia, semana após semana. Tentativas de homicídio brutais. Ataques planeados e premeditados nos locais de trabalho ou de lazer. Tentativas de atear fogo ao seu património ou meios de subsistência. Incessante invasão e perturbação da vida privada com mensagens explícitas sobre o controlo que o agressor não admite deixar de ter sobre a vida da sua atual ou ex-companheira. De notar, ainda, que muitos destes casos culminam em homicídios brutalmente executados, com armas brancas, evidenciando sem margem para dúvidas que, para este tipo de criminosos, não está apenas em causa a morte mas a intencional provocação de sofrimento e agonia na vítima.

Números e dados que têm de envergonhar a justiça! Que têm de impor mais reformas! Que devem exigir, incontornavelmente, uma reação. Palavras bonitas, no Parlamento nacional ou na ONU, já pouco servem a estas mulheres.

Para quando uma base de dados efetiva e operacional sobre os agressores referenciados, independentemente do local onde residam? Para quando a efetivação de apoios às vítimas – nacionais e municipais – no momento imediatamente posterior às agressões, quando mais difícil é sair do quadro de risco e do contexto familiar? Para quando a obrigação imediata de entrega de todo o tipo de armas detidas pelo agressor após as primeiras queixas? Para quando a sensibilização dos jovens, nas escolas?

Devíamos deixar cair as palavras e iniciar verdadeiramente uma batalha contra este flagelo que não envergonha apenas a justiça, mas todo o país. De que estamos à espera? De mais mulheres mortas nas manchetes dos jornais?

A personalidade
Nélson Évora: aos 31 anos, e após lutar incessantemente contra lesões que quase o retiraram da competição, arrecadou a medalha de bronze nos Mundiais de Atletismo de Pequim. Um exemplo de luta e dedicação a não esquecer!

Alemanha solidária
A Chanceler alemã, Angela Merkel, não cedeu aos protestos e à voz crescente dos movimentos radicais contra os refugiados, admitindo integrar até ao final.

Morte em direto
O homicídio, em direto, de dois jornalistas da televisão norte-americana WDBJ, por um antigo colega, Vester Flanagan, que postou nas redes sociais a execução, chocou o mundo inteiro.

opinião André Ventura
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)