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André Ventura

Banqueiros e prisão perpétua

Apesar de não existirem penas perpétuas, a responsabilidade destes banqueiros deveria ser para sempre.

André Ventura 28 de Dezembro de 2015 às 00:30
Mais um banco. Mais uma crise. Mais um terramoto no sistema financeiro que vai ajustar contas, uma vez mais, com todos os contribuintes. A responsabilidade política, moral e ética desintegrar-se-á progressivamente entre comissões parlamentares de inquérito e a troca de galhardetes entre Governo e oposição.

Neste cenário, é a justiça que tem de atuar, enquanto salvaguarda do repositório moral da Nação. De Norte a Sul, entre todas as etnias e classes sociais, o sentimento é o mesmo: a culpa morre sempre solteira nos terramotos provocados pela ganância de um punhado de investidores e banqueiros que, ao longo dos anos, tiveram como único objetivo aumentar a sua espiral de riqueza.

E, claro, sempre com a sensação de que, ao mínimo alerta vermelho, lá estarão os milhões dos contribuintes para salvar as instituições e garantir os depósitos de todos. É evidente que não podemos continuar assim. Mas se é fundamental reformular os poderes dos reguladores e as próprias competências do Banco de Portugal, é na justiça que muito falta fazer! Deixo várias sugestões.

Se os bancos são empresas privadas que sistematicamente obrigam à intervenção de milhões de euros do erário público, não deverão os seus administradores ser considerados funcionários para efeitos do crime de administração danosa? Não deverão os crimes praticados pelos banqueiros no âmbito da gestão ruinosa ser agravados nas molduras penais quando provocam grave perturbação no sistema financeiro e destroem as conquistas sociais?

Portugal foi dos primeiros países a abolirem a pena de morte e a prisão perpétua. E ainda bem! Mas a responsabilidade de quem tem vindo a destruir a nossa economia devia ser para sempre. Dito de outro modo: nenhum dos gananciosos banqueiros deveria, em caso de condenação, sair da prisão antes que todas as dívidas para com os portugueses fossem definitivamente saldadas. Talvez assim tudo fosse diferente…

A personalidade: Carlos Costa
O Governador do Banco de Portugal voltou a estar no centro da polémica com a resolução do Banif e a solução de venda ao Santander. É um homem cada vez mais só no seu mandato!

Positivo: CMTV na NOS
A parceria entre a CMTV e a NOS junta dois projetos com vocação de liderança e representa um importantíssimo avanço na trajetória de sucesso do canal televisivo do CM.

Negativo: Morte em São José
A morte de David Duarte, de 29 anos, no Hospital de São José, em Lisboa, por falta de um neurocirurgião de serviço, evidencia algumas falhas graves no sistema nacional de saúde.
Governo Banco de Portugal Carlos Costa Banif David Duarte Hospital de São José Lisboa CMTV NOS
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